domingo, 8 de julho de 2007

Agora a depilação

Primeiro uma correção: percebo que a tal da tpm está chegando mesmo quando me dá um desespero e eu quero entrar um avião naquele momento. NEM UM SEGUNDO DEPOIS, TEM QUE SER NAQUELA HORA SENÃO EU EXPLODO. Depois de perceber que eu não explodi eu respiro fundo e percebo que é só mais uma tpm... nãããão...

A foto: não tinha nenhuma foto minha no blog ainda, então agora tem. No templo de Narita, aproveitando o momento, nada fotogênica como sempre...


Agora seguindo no meu momento feminista (normalmente seria feminina), vou postar um e-mail muito bom que eu recebi. Minhas postagens costumam ser sobre a viagem, mas esse e-mail encaixou tão bem com o meu momento que eu não resisti. Lá vai... (ele parece grande mas eu fiquei até triste quando vi que estava chegando ao fim, é engraçadíssimo):




"Tenta sim. Vai ficar lindo."




Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, merender à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer,porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.


- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.


- Vai depilar o quê?


- Virilha.


- Normal ou cavada?


Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era prafazer, quis fazer direito.


- Cavada mesmo.


- Amanhã, às... deixa eu ver...13h?


- Ok. Marcado.




Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei,Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De umlado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já sentium frio na barriga ali mesmo, s em desabotoar nem um botão. Eis que chegamosao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.


- Querida, pode deitar.




Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra umamesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural esabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.




- Quer bem cavada?


- ...é... é, isso.


Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.


- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.


- Ah, sim, claro.


Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. Derepente, ela volta da mesinha de tortura com uma esp átula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).


- Pode abrir as pernas.


- Assim?


- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois jogacada perna pra um lado.


- Arreganhada, né?


Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora depuxar.




Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído,que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscandome concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural. Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.


- Tudo ótimo. E você?


Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.




O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade deespancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação eimaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.


- Quer que tire dos lábios?


- Não, eu quero só virilha, bigode não.


- Não, querida, os lábios dela aqui ó.


Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.


- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.


Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho dePenélope e dá uma conferida na Abigail.


- Olha, tá ficando linda essa depilação.


- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.




Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com arespiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os ol hos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta". Só voltei àterra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.


- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?


- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.


Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãearrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas malsabia que o motivo para isso ainda estava por vir.




- Vamos ficar de lado agora?


- Hein?


- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.


Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.


- Segura sua bunda aqui?


- Hein?


- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.


Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava decara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia,aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:


- Tudo bem, Pê?


- Sim... sonhei de novo com o cu de uma cliente.




Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchegofalso da cera quente besuntando meu tuin peaks. Não sabia se ficava com maismedo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus pordia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamentedo meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bundativesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa quetivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.




- Vira agora do outro lado.


Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamentea bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.


- Penélope, empresta um chumaço de algodão?


Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.




- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.


- Máquina de quê?!


- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.


- Dói?


- Dói nada.


- Tá, passa essa merda...


- Baixa a calcinha, por favor.


Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar acalcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.


- Prontinha. Posso passar um talco?


- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.


- Tá linda! Pode namorar muito agora.




Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contraisso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada. Queria comprar o domínio preserveasbucetaspeludas.com.br

7 comentários:

Unknown disse...

carol, sensacional. foi sua essa experiência??
meu, de verdade...to trabalhando das 8 da matina até as 2 da tarde e vou ler sempre pro dia começar bem e eu sempre sair sorrindo daqui!
beijo grande boa sorte!
ah, tá linda na foto, nem vem dizer q nao tá boa, vc é bonita, caraca! nao tem como enfeiar
bjoos

Carol P disse...

haha, não a experiência não foi minha (ainda bem!).
Que bom que agora eu tenho uma fã, rs.
Beijão Eriquitchas

André Sobreiro disse...

haauahauahauahauahauahauahauaha


AMEI!

Bjoes Carol Peitos!

Popô

lcattapreta disse...

ah vc postou!
vão achar que é assim só no japão!

hahaha

Anônimo disse...

E aí Carol!

Hahaha... Mto bom o seu blog! Não pare!

Beijos!

Unknown disse...

carolllll vcs se mudaram? de cidade, de casa e de trabalho?? meu deus que desatualizadaaaa....
mande mais noticias linda!
bjsssssssssssss

Natalia disse...

HAHAHAHAHAHAHAHAHA!

(tentando verbalizar por palavras o que rolou aqui no meu quarto agora...)

ótimo esse email, excelente! confesso que todos esses pensamentos de vingança e afins já passaram inúmeras vezes pela minha cabeça...

beijo pra vcs aí, espero que esteja tudo certo! se cuidem muito.