segunda-feira, 2 de julho de 2007

Agora sim o Japão

Há bastante tempo eu não posto aqui. A rotina da fábrica me deixa com preguiça até de pensar, escrever...
Porém ontem fizemos um passeio digno de uma postagem, fomos conhecer um templo em Narita, uma cidade que fica a 40min de distância daqui de Omigawa.
O passeio começou bem, pois andar de trem é sempre gostoso prá mim. Fomos o del, eu e um amigo nosso, Erik.
Chegando em Narita tivemos uma ótima surpresa. Primeiro conseguimos nos comunicar bem em Inglês com uma japonesa que nos indicou onde era o templo. 5 minutos de ônibus ou 15 andando. Escolhemos ir andando, claro.
A caminhada foi incrível. Ruas pequenininhas, com é comum no Japão, cheias de lojas bem japonesas, daquelas que a gente imagina que vai encontrar por toda parte, mas que na verdade não existem tanto assim. Uma mais louca que outra. Em uma delas encontramos diversas roupas de ninja à venda (e o del quase surtou). Em outra havia diversos animais empalhado, diversos mesmo! Vários restaurantes também, com Gueixas recepcionando os clientes. Alguns restaurantes clássicos em que o cliente precisa tirar os sapatos e comer sentado no chão. O mais incrível foi um em que o peixe era "preparado" na porta, às vistas de quem estava passando na rua e também dos clientes das primeiras mesas. O "preparador" dos peixes pegava de uma bacia cheia d'água um peixe comprido, que talvez fosse enguia, dava uma facada no "pescoço" (ou onde ficaria um, caso peixe tivesse pescoço), depois prendia sua cabeça com uma espécie de prego na mesa e começa a abrir o peixe na barriga com uma faca bem afiada e uma naturalidade (e habilidade) espantosa. O peixe dava uns pulos, uns espasmos nesse momento. Depois de aberto ele começava a tirar as tripas do peixe com a faca e ia jogando em bacias ao seu redor, cada qual em uma bacia específica. Depois cortava o que sobrou de carne em dois e colocava em outra bacia. Limpava o sangue da mesa (de madeira) com a mão e pegava outro peixe. Ficamos lá talvez uns 5 minutos e nós temos dúvidas se ele matou muito ou pouco mais do que 10 peixes! Muitas pessoas que passavam paravam para observar, assim como os clientes, que assistiam a preparação enquanto comiam seus almoços.
Chegamos ao templo encantados (e espantados) com aquele Japão que ainda não tínhamos conhecido em Omigawa, Kamiso (que fomos na semana passada) ou Tokyo.
O famoso templo, que muitos japoneses fazem excursões para visitar, não decepcionou. Um lugar incrível, tranquilo, bonito, boniiiiito. Para os japoneses, que entendem todos os símbolos que têm aquele lugar, deve ser anda mais emocionante. O templo tem diversos castelos e jardins orientais. Logo no começo vimos um laguinho com tartarugas e ficamos um tempão lá olhando prá elas (uma inclusive tinha o casco roxo!). De repente ouvimos algo familiar e percebemos que a família ao nosso lado fala português e inglês, inclusive um menininho de uns 7 anos. Não pareciam mesmo brasileiros, mas o pai falou em claro e alto português para o menino "corre senão a gente vai perder a cerimônia". Tratamos de correr atrás deles porque não queríamos perder a cerimônia também, hehe...
Porém paramos pelo caminho para apreciar as árores, as pedras, a fonte de água puríssima, tudo muito bem cuidado e com uma energia tão calmante.
Fomos subindo em direção ao que parecia o templo principal e percebemos uma certa movimentação. Antes de chegarmos lá paramos num enorme globo de ferro onde queimavam muito Senkôs, uma espécie de incenso japones normalmente usados em cerimônias. Andamos em direção ao templo e percebemos que estava começando a tal cerimônia. A princípio
ficamos na dúvida se podíamos entrar e eu achava que não seríamos bem vindos lá dentro (especialmente eu, porque os meninos se passam por orientais). Isso acabou sendo bom porque pudemos ver um monge tocando um grande sino a marteladas e outros 10 monges vir em fila e entrar no templo. Arrepiante.



Acabamos por entrar e assistir a cerimônia, mas eu não pude fotografar. Linda! Deu uma emoção estranha assistir àquela cerimônia, pois apesar de não entender o significado daquilo tudo, era um momento muito especial. O lugar era lindo, os monges estavam trajando uma curiosa roupa (todos iguais, igualmente carecas), havia diversos ornamentos orientais, muitas pessoas assistindo e orando. Havia até 3 daqueles grandes tambores japoneses (cujo nome eu não sei) que foram tocados por um dos monges. Na verdade apenas dois foram tocados, o maior de todos, que era realmente graaaande, maior do que qualquer pessoa, não foi tocado. Pelo estrondo que os "menores" faziam esse maior deve ser capaz de fazer as paredes tremerem bastante.




Enfim, essa cerimônia foi incrivelmente indescritível. Saí me sentindo nas nuvens, sabe lá Deus porquê. Talvez tenha sido o tambor desconpasando meu coração.



Fomos andar para conhecer o resto do templo. Andamos, andamos, andamos... um lugar mais lindo do que o outro. Templos menores lindos, jardins impressionantes de tão bem cuidados, alguns cantinhos no meio de árvores que pareciam o céu. Espadas, muitas pedras com Kanjis esculpidos (!), diversas esculturas com símbolos orientais (talvez indianos, porque todo o templo parecia budista). Quando estávamos pasmos com o lugar e rezando para que parassem de aparecer mais caminhos nos deparamos com um lago... um caminho e pedras atravessava o lago e nos deixava muito perto da água e das carpas... e das quedinhas d'água. Que lugar!!! Não dava vontade de sair de lá, mas sabíamos que havia muita coisa boa prá ver ainda. Até a cobra que estava na pedra no meio do lago já tinha sumido de lá, então decidimos que era hora de ir também, hehe



Enfim o templo continuou sendo esse lugar incrível cheio de jardins e castelos. Depois acabamos descobrindo que os jardins fazem parte de outro lugar o parque de Narita, mas como o templo não tem muros e é vizinho do parque fica parecendo tudo a mesma coisa.


Já estávamos com fome e um amigo nosso ligou dizendo que ia para a cidade também e combinamos de encontrá-lo no shopping. Decidimos ir andando até o shopping já que nossa guia do começo do passeio tinha dito que seriam mais uns 20min andando. Andamos, andamos, andamos e nos percebemos perdidos no meio de Narita, apesar de termos dois mapas e um GPS, hehe...


Como já tínhamos andado demais dentro do templo e fora dele decidimos pegar um táxi e percebemos que foi uma ótima decisão, já que levamos uns 15min de táxi para chegar até o shopping, que estava do outro lado da cidade, hehe.

No caminho de taxi encontramos nosso amigo andando no meio da rua, no sentido oposto ao do shopping, cansado de esperar pela gente. Ele decidiu ir sacar dinheiro e depois voltar ao shopping.


Comemos no Hard Rock Café. Unh, que delícia. Caro prá danar, mas muito gostoso. O clima do lugar era bem divertido e a comida muito saborosa. Foi uma bela forma de terminar esse dia de passeio.

Ficamos um tempão lá, porque o del começou a ter "cãibras no estômago", segundo ele mesmo, hehe. Enquanto ele melhorava, deitado no meu colo, nós ficamos lá batendo papo, comendo sobremesas gigantes. Muito bom também!


Depois de todos recuperados fomos da ruma volta clássica no shopping e pegamos o ônibus que nos levou à estação de trem. Chegamos lá em cima da hora, correndo feito doidos para pegar o trem das 20h25, pois o próximo seria só às 22hr e nós estávamos podres de tanto andar.


Esse dia de passeio foi ótimo prá recuperar as energias e aliviar das (muitas) chatices do trabalhos. Fez lembrar que o fato de estar num lugar tão diferente da minha "casa" tem diversar vantagens também. Como ver monges, assistir a uma cerimônia completamente diferente, tirar 300 fotos, viver um dia zen, passear sem muita idéia de onde vamos parar.


Agora sim...

Ps.: beijões especiais prá minha prima déia!!!

Um comentário:

Anônimo disse...

o tambor se chama Taikô... hehe

William, que também é cultura do lado de cá... hehe

BJS pra vcs 2!!!