domingo, 29 de julho de 2007

O Útimo Dos Choreis

Com lincensa, mais uma vez invado o blog da carol para uma postagem.

Como vc’s já sabem, existem várias normas a serem cumpridas para poder se trabalhar no setor que trabalho. Nas últimas semanas essas normas conseguiram se “entosquear” (para quem não sabe, é o verbo de onde provém a palavra: tosco) bastante.
O dia começou com uma das já citadas reuniões de começo e fim de dia em que na maioria (maioria: sinônimo de totalidade) das vezes só servem para sofrermos tentando segurar as risadas depois que eles começam a repetir as mesmas coisas de ontem na ordem em que apostamos que eles fariam.
Vou chamar aqui os dois personagens falantes de Mário e Luigi, pela similaridade física dos meus personagens com os famosos da Nintendo, para tentar reproduzir a última de suas reuniões (aqui no Japão são chamadas de chorei):

Um grupo de cinqüenta espermatozóides (que também podem ser considerados como pessoas com seus macacões de trabalho) se posiciona em roda ao redor de Mário e Luigi. Como o espaço não é muito, ficam parecendo um bando de lêmures com suas cabecinhas levantadas para tentar escutar o que vai ser dito ali na frente. Alguns não tentam tanto assim...
Mário dá uma cotovelada em Luigi, como se estivesse pedindo pra ele começar, Luigi dá uma cotovelada em Mário, como se não quisesse começar e querendo que Mário começasse. Mário começa:

- Bom dia pessoal (são 20h25 no horário local). Hoje as linhas estão meio paradas, então não é pra ficar conversando ou andando pra lá e pra cá quando não tiver serviço. Quando não tiver peças, tudo bem ficar parado, mas quando tiver peça eu quero que vocês trabalhem o mais rápido que puderem. (Nessa hora eu fiquei muito feliz de ter ganhado o direito de não passar peças enquanto estas não existirem).

Mário olha para Luigi, como se perguntando se existia mais alguma coisa a ser dita, Luigi cochicha algo na orelha de Mário, que se põe a falar novamente:

- Ta chegando muita reclamação por causa de peças que estão dando furio (não boas) por causa de sujeira dentro delas, por isso que a partir de ontem tivemos que passar a usar a luva por cima da manga do uniforme. Eu sei que é chato ficar pedindo isso, mas eu quero que o pessoal se preocupe mais com a questão da sujeira, por que se não a fábrica vai obrigar a gente a começar usar aquela toca que alguns japas já estão usando.

Essa touca consiste em uma touca igual a que a gente já usava, com a máscara que a gente já usava por baixo, mas com uma parte de pano que cobre a boca, que já estava coberta pela máscara de papel. Além disso essa touca é quadrada e não redonda como a forma das cabeças normalmente encontradas por aí no mundo, excetuando-se aí os nossos compatriotas cearenses, fazendo todo mundo que a usa parecer-se com aquele inimigo do He-man que pula pra caramba, é baixinho e eu nunca lembro o nome dele.

- Bom, então é isso, bom trabalho pra todos. – diz Mário.

Mas quando todos começam a dispersar:

- Péra só um pouquinho pessoal. – diz Luigi com seu sotaque de japonês misturado com espanhol da região da capital do Brasil.

- Então vamos colaborar, né? Porque tem que entender, né? A gente entende o lado de vocês, né? É ruim quando fica sem peça...sem serviço, né? Mas vocês têm que entender nosso lado também né?

E ele continua:

- E essa coisa da limpeza né? Porque...como é que vai fazer? Se não melhorar, o pessoal vai fazer usar essas tocas aí né? Vamos lembrar de usar a luva certinho né?

E ele vai...:

-Tá bom? Entendido né? Porque a gente sabe que é ruim, mas tem que colaborar com a gente né? Fica ruim pra gente ficar pedindo também né?

Luigi então olha pra Mário, que balança a cabeça. Segue-se alguns segundos de silêncio, até que Luigi diz:

-Então é tudo por hoje pessoal, bom trabalho pra todos.

Os espermatozóides se dispersam em direção aos seus locais de trabalho.

O dia segue com eu me questionando o porque de termos que usar a luva por cima da manga do macacão, sendo que os furios que estavam saindo devido à sujeira encontrada dentro da peça, só poderiam acontecer no momento em que a peça estava aberta, que era antes de ela chegar na nossa sessão.
Depois do último intervalo surgiram uniformes novos nos nossos armários, eles continham tocas num modelo diferente do que usamos nos últimos 3 meses. Elas eram quadradas, elas tinham um pedaço de pano tampando a boca que já estava tampada por um pedaço de papel, elas eram bem parecidas, se não iguais, as que foram usadas para nos ameaçar caso o problema de micro pedaços de pó dentro da lente não fosse resolvido.
Pelo jeito a ameaça foi feita tarde de mais, e a decisão de todos usarem aquela máscara já havia sido tomada há tempos, mas para que não parecesse só mais uma medida de segurança para que nossas bocas se mantivessem duplamente tampadas, nossos queridos líderes resolveram colocar como uma punição por não termos resolvidos em algumas horas o problema de sujeira dentro da lente que acontece no estágio anterior ao nosso da produção das câmeras.
Fiquei aguardando o fim do dia, curioso para saber o que eles diriam quanto à adoção das tocas do inimigo pulante do He-man.
O fim do dia chegou, todos em volta dos irmãos Mário, Luigi dá uma cotovelada em Mário, Mário dá uma cotovelada em Luigi, que começa:

- Bom pessoal, hoje o dia foi bom né?

Luigi então olha pra Mário, que balança a cabeça. Luigi segue:

- Então é isso pessoal, bom trabalho pra todos e até amanhã.

Mário corrige:

- Bom descanso, né pessoal?

Ninguém mais ri, porque até mesmo esse ato falho é repetido diversas vezes durante a semana.

Os espermatozóides, que neste momento parecem mais com o gado da música do Zé Ramalho, correm em direção à porta de saída, que é a mesma em que as pessoas do turno da manhã entram. Pessoas essas que além de terem que entrar pela mesma porta em que queremos sair ainda têm que tomar de 5 em 5 o maldito banho de ar de uns 20 segundos.

Foi a última vez que fui embora da fábrica.

PS: esta é uma estória de ficção, qualquer semelhança com a realidade é “meres” coincidência. As imagens aqui apresentadas são montagens feitas em computador, pois é terminantemente proibido tirar fotos dentro da fábrica, e se eu fizesse isso eu poderia ser processado por espionagem.

sábado, 28 de julho de 2007

Como era o nosso 1º trabalho...

Estou invadindo o blog da Carol pra postar como era o cotidiano do nosso trabalho na fábrica da Sony.
É um email que escrevi no primeiro mês que estávamos aqui que estou copiando para quem não leu ter a oportunidade.
Beijos, del

Como não podia deixar de ser a nossa vida aqui tem se resumido ao trabalho, então tá tudo bem pq esse era o planejado pra esse momento.
Todos os dias acordamos as 19h00 horário local, tomamos café da manhã, nos arrumamos e pedalamos por 10-15 min pra chegar na Sony as 20h10, mostramos o crachá da nossa empreiteira pro porteiro (afinal ã Sony não nos tem como funcionáios deles, somos funcionários da nossa empreiteira que é terceirizada) batemos o cartão, colocamos um colete que tem um crachá com nosso nome escrito em Katakana (esses são os caracteres usados para escrever palavras estrangeiras), pois o nome Itocazo é abrasileirado...
Assim que colocamos o colete e trocamos nosso tenis por um sapato deles (anti-energia-estática), nós subimos um andar e entramos num vestiário para tirar o colete e o sapato que acabamos de colocar (isso mesmo, nós usamos o colete que acabamos de colocar e o sapato que acabamos de trocar por aproximadamente 1 minuto). Em seguida entramos num outro vestiário aonde colocaremos um macacão, uma máscara igual aquelas de enfermeiras, uma toca igual aquelas que mulher usa pra assustar o homem quando coloca creme no cabelo, e por cima da máscara e da toca, porém por baixo do macacão, uma toca maior que cobre tudo e completa a vestimenta que nos faz parecer o Shinobi, o ninja branco. (vou ficar devendo fotos pq posso ser acusado de espionagem se tirar foto lá, e isso é sério!)

Colocada essas roupas eu coloco um par de luvas de dentista e lavo e seco minha mão concorrendo por um secador com todos que querem entrar (nessa hora vc se pergunta: como assim, as pessoas estão afoitas em entrar para o serviço??? Calma tem explicação). Assim que consigo lavar minhas luvas corro para dois aparelhos onde vou testar se minhas botas (esqueci de escrever que colocamos botas cobrindo o macacão) estão funcionando anti-estaticamente bem e se meu assubando (droga, esqueci de falar que colocamos uma pulseira no meu tornozelo, que é plugada num fio que eu prendo no meu macacão, mas que depois vou prender na máquina, isso se chama assubando) está funcionando bem tb, no mesmo sentido que a bota quando se trata de energia estática.
Assim que ambos os testes dão OK eu, ou a Carol, procuramos nossos nomes numa lista e escrevemos que nossos testes estão OK. Se nossos testes não estiverem OK aí a estória é outra...Quando vc pensa que já enrolou demais pra começar o trabalho vc percebe que precisa brigar por um lugar num túnel de vento em que cabem 5 pessoas por vez, e que mesmo que ainda sejam 20h20 e que vc começe a trabalhar e a receber as 20h30 vc já está atrasado, pois vc precisa estar pronto, dentro da linha e olhando pros líderes (teoricamente eles são nossos chefes, mas vou deixar pra contar sobre eles num email exclusivo) as 20h25 no máximo pois todo dia é obrigatório fazermos um Chorei (reuniãzinha obrigatória mesmo que desnecessária) onde tomaremos uma comida de rabo por qualquer coisa do dia anterior e receberemos um pedido a ser cumprido no dia (na verdade na madugada) que começa. Agora vc deve estar pensando: "ah, mas duvido que eles façam tudo isso certinho todos os dias". Eu respondo.Como todos os bons brasileiros que somos (eu a carol e a metade do japão que é brasileira - obs: a outra metade é dividida entre filipinos, srilankeses, paraguaios, argentinos, peruanos, colombianos e qualquer outra nacionalidade que se disponha a trabalhar por um custo mais baixo que o de comprar um robo pra fazer o serviço - existem também algumas pessoas que nascem lá as quais chamamos de japoneses.) tentamos burlar as regras japonesas, entrando em 6, 7 ou um pouquinho mais no túnel de vento pra 5 pessoas, chegando um pouquinho atrasado ou deixando de fazer um dos testes exigidos... O problema é que qualquer brasileirisse como essas são rapidamente notadas (não entendo cmo eles percebem tão rápido que de dentro do túnel de vento saíram 9 ou 10 pessoas ao invés dos 5 permitidos) e serão prontamente advertidas com ameaças de cortes de zangyo (horas extras), essa é a hora que eu mais gosto, pois corro o risco de poder ir pra casa as 5h30 da manhã ao invés de às 8h30...mas pra maioria das pessoas isso é um castigo.


Quando chegamos atrasados, mesmo que 30s (juro, já tomei bronca por 30s de atraso), tomaremos comidas dos nossos líderes (que são brasileiros ou argentinos ou qualquer pessoa dessas que acham que o dia que eles compraram um BMW foi o dia que eles venceram na vida.). As únicas vezes que escapamos de uma comida por 30s ou mais de atraso é quando ambos os dois líderes nossos estão fora da linha, atrasadoa também ou tirando um soneca lá fora. Esse email já ficou grande de mais. Em outro email eu continuo contando como vão as coisas aqui.

Ps: liguem 3717-5704 pra falar comigo ou com a carol pagando só a ligação pra são paulo.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

desculpas

esse post está sem formatação nenhuma porque eu estou numa lan house no meio de tokyo cujo pc e teclado são em japonês, logo eu não entendo lhufas, hehe.... até meu blog está em japonês aqui!
Bom, no mudamos! estamos em tokyo agora, de volta a uma cidade grande. Grande, mas sem internet em casa ainda. Por isso peço desculpas a quem acessar o blog e não encontrar nada novo.
Porém a expectativa será correspondida, porque teremos muito o que postar sobre mais essa mudança (o del até já escreveu um texto sobre o último dia de trabalho, mas ainda nao deu pra postar)

Morreeeeeendo de saudades da minha terra, minha gente, minha comida, minha cama...

domingo, 8 de julho de 2007

Agora a depilação

Primeiro uma correção: percebo que a tal da tpm está chegando mesmo quando me dá um desespero e eu quero entrar um avião naquele momento. NEM UM SEGUNDO DEPOIS, TEM QUE SER NAQUELA HORA SENÃO EU EXPLODO. Depois de perceber que eu não explodi eu respiro fundo e percebo que é só mais uma tpm... nãããão...

A foto: não tinha nenhuma foto minha no blog ainda, então agora tem. No templo de Narita, aproveitando o momento, nada fotogênica como sempre...


Agora seguindo no meu momento feminista (normalmente seria feminina), vou postar um e-mail muito bom que eu recebi. Minhas postagens costumam ser sobre a viagem, mas esse e-mail encaixou tão bem com o meu momento que eu não resisti. Lá vai... (ele parece grande mas eu fiquei até triste quando vi que estava chegando ao fim, é engraçadíssimo):




"Tenta sim. Vai ficar lindo."




Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, merender à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer,porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.


- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.


- Vai depilar o quê?


- Virilha.


- Normal ou cavada?


Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era prafazer, quis fazer direito.


- Cavada mesmo.


- Amanhã, às... deixa eu ver...13h?


- Ok. Marcado.




Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei,Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De umlado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já sentium frio na barriga ali mesmo, s em desabotoar nem um botão. Eis que chegamosao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.


- Querida, pode deitar.




Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra umamesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural esabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.




- Quer bem cavada?


- ...é... é, isso.


Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.


- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.


- Ah, sim, claro.


Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. Derepente, ela volta da mesinha de tortura com uma esp átula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).


- Pode abrir as pernas.


- Assim?


- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois jogacada perna pra um lado.


- Arreganhada, né?


Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora depuxar.




Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído,que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscandome concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural. Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.


- Tudo ótimo. E você?


Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.




O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade deespancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação eimaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.


- Quer que tire dos lábios?


- Não, eu quero só virilha, bigode não.


- Não, querida, os lábios dela aqui ó.


Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.


- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.


Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho dePenélope e dá uma conferida na Abigail.


- Olha, tá ficando linda essa depilação.


- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.




Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com arespiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os ol hos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta". Só voltei àterra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.


- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?


- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.


Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãearrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas malsabia que o motivo para isso ainda estava por vir.




- Vamos ficar de lado agora?


- Hein?


- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.


Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.


- Segura sua bunda aqui?


- Hein?


- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.


Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava decara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia,aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:


- Tudo bem, Pê?


- Sim... sonhei de novo com o cu de uma cliente.




Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchegofalso da cera quente besuntando meu tuin peaks. Não sabia se ficava com maismedo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus pordia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamentedo meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bundativesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa quetivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.




- Vira agora do outro lado.


Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamentea bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.


- Penélope, empresta um chumaço de algodão?


Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.




- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.


- Máquina de quê?!


- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.


- Dói?


- Dói nada.


- Tá, passa essa merda...


- Baixa a calcinha, por favor.


Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar acalcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.


- Prontinha. Posso passar um talco?


- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.


- Tá linda! Pode namorar muito agora.




Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contraisso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada. Queria comprar o domínio preserveasbucetaspeludas.com.br

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Sobre a TPM

Tpm é quando niguém entende nada! O homem não entende porque a mulher se transformou num monstro inchado e de um mau-humor depressivo. A mulher não entende porque merdas nasceu mulher e tem que agüentar essa droga de mundo chato e irritante, especialmente com a barriga inchada e o peito muito mais, ambos doloridos. Porque dói o simples fato de andar (e não são os pés que doem)? Porque todo mundo faz tudo errado? Porque tudo e todos cospiram contra você? Porque o mundo é cinza? Porque minha vista está ficando cinza? Porque meus lábios formigam? Porque minha pressão cai? Ops, melhor sair da droga da linha de produção, tirar a bosta da máscara que atrapalha a respiração e tomar um gole da água ridiculamente gelada do bebedouro. Mas porque, porque o chefe te olha com cara de bosta e demora a responder quando você avisa que vai sair da linha e ta passando mal? E porque você tem que explicar pra todo mundo que isso acontece todo mês mesmo por causa da cretina tpm (“discretamente” acentuado pela rotina de trabalho)? (suspiro)
Mas calma, respira fundo que daqui a uns dias isso tudo passa...
Pra quê? O meu Deus, pra que sangrar todo mês? Só pode ter sido um erro (grave) de projeto. Mas eis que ela vem. Não bastasse ter passado os últimos 7 ou 10 dias com uma nuvem negra sobre sua cabeça eis que vem a nuvem vermelha. Não bastasse trabalhar 12hr por dia em pé agora você terá que fazer isso tudo com as costas e as pernas doendo MUITO mais, com uma almofada na calcinha e com a cara de bosta que o chefe faz cada vez que você pede pra ir no banheiro. Dá vontade de responder: “tá me olhando com essa cara porque? Depois que VOCÊ menstruar a gente conversa, seu bosta!”.
Existe também a opção de não ir ao banheiro durante o trabalho e esperar até a hora do intervalo para descobrir como andam as coisas. Mas aí toca sair correndo de dentro da seção e correr até o banheiro que é muito longe, já que os banheiros próximos não são equipados com privadas, apenas com “motocas”... Quem inventou a motoca não menstruava, com certeza! Não sabem o que é a motoca? Lembrete:
escrever o post sobre a motoca.
Voltando, toca correr até o banheiro, fazer tudo o que for necessário e voltar correndo pra seção, pois o intervalo é tão curto que não dá tempo de fazer isso tudo e ainda descansar um pouqinho. Ta cansada, as costas doem pra caramba, as pernas estão explodindo? Sinto muito, eu não acredito, eu não menstruo, sou um homem idiota que não entende nada de mulher (nem de porra nehuma), volte ao trabalho! (suspiro de novo)
Mas calma, respira fundo que daqui uns 5 ou 7 dias isso tudo passa. E você ficará livre do seu ciclo mentrual por aproximadamente 15 dias. Até perceber que você está chorando com um jogo de vídeo-game, sinal que lá vem ela de novo. A tpm aqui no Japão dura tanto que eu já to quase instituindo a tptpm.
Oh Deus porque?
Ps.: porque depois de escrever isso tudo eu ainda não estou satisfeita com o texto? Dane-se, vou dormir, não me agüento mais.
Ah, dedico esse post a todas as mulheres que menstruam em todos os pontos do mundo.

William disse...

o tambor se chama Taikô... hehe

Obrigada, Will!!!
Beijos

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Agora sim o Japão

Há bastante tempo eu não posto aqui. A rotina da fábrica me deixa com preguiça até de pensar, escrever...
Porém ontem fizemos um passeio digno de uma postagem, fomos conhecer um templo em Narita, uma cidade que fica a 40min de distância daqui de Omigawa.
O passeio começou bem, pois andar de trem é sempre gostoso prá mim. Fomos o del, eu e um amigo nosso, Erik.
Chegando em Narita tivemos uma ótima surpresa. Primeiro conseguimos nos comunicar bem em Inglês com uma japonesa que nos indicou onde era o templo. 5 minutos de ônibus ou 15 andando. Escolhemos ir andando, claro.
A caminhada foi incrível. Ruas pequenininhas, com é comum no Japão, cheias de lojas bem japonesas, daquelas que a gente imagina que vai encontrar por toda parte, mas que na verdade não existem tanto assim. Uma mais louca que outra. Em uma delas encontramos diversas roupas de ninja à venda (e o del quase surtou). Em outra havia diversos animais empalhado, diversos mesmo! Vários restaurantes também, com Gueixas recepcionando os clientes. Alguns restaurantes clássicos em que o cliente precisa tirar os sapatos e comer sentado no chão. O mais incrível foi um em que o peixe era "preparado" na porta, às vistas de quem estava passando na rua e também dos clientes das primeiras mesas. O "preparador" dos peixes pegava de uma bacia cheia d'água um peixe comprido, que talvez fosse enguia, dava uma facada no "pescoço" (ou onde ficaria um, caso peixe tivesse pescoço), depois prendia sua cabeça com uma espécie de prego na mesa e começa a abrir o peixe na barriga com uma faca bem afiada e uma naturalidade (e habilidade) espantosa. O peixe dava uns pulos, uns espasmos nesse momento. Depois de aberto ele começava a tirar as tripas do peixe com a faca e ia jogando em bacias ao seu redor, cada qual em uma bacia específica. Depois cortava o que sobrou de carne em dois e colocava em outra bacia. Limpava o sangue da mesa (de madeira) com a mão e pegava outro peixe. Ficamos lá talvez uns 5 minutos e nós temos dúvidas se ele matou muito ou pouco mais do que 10 peixes! Muitas pessoas que passavam paravam para observar, assim como os clientes, que assistiam a preparação enquanto comiam seus almoços.
Chegamos ao templo encantados (e espantados) com aquele Japão que ainda não tínhamos conhecido em Omigawa, Kamiso (que fomos na semana passada) ou Tokyo.
O famoso templo, que muitos japoneses fazem excursões para visitar, não decepcionou. Um lugar incrível, tranquilo, bonito, boniiiiito. Para os japoneses, que entendem todos os símbolos que têm aquele lugar, deve ser anda mais emocionante. O templo tem diversos castelos e jardins orientais. Logo no começo vimos um laguinho com tartarugas e ficamos um tempão lá olhando prá elas (uma inclusive tinha o casco roxo!). De repente ouvimos algo familiar e percebemos que a família ao nosso lado fala português e inglês, inclusive um menininho de uns 7 anos. Não pareciam mesmo brasileiros, mas o pai falou em claro e alto português para o menino "corre senão a gente vai perder a cerimônia". Tratamos de correr atrás deles porque não queríamos perder a cerimônia também, hehe...
Porém paramos pelo caminho para apreciar as árores, as pedras, a fonte de água puríssima, tudo muito bem cuidado e com uma energia tão calmante.
Fomos subindo em direção ao que parecia o templo principal e percebemos uma certa movimentação. Antes de chegarmos lá paramos num enorme globo de ferro onde queimavam muito Senkôs, uma espécie de incenso japones normalmente usados em cerimônias. Andamos em direção ao templo e percebemos que estava começando a tal cerimônia. A princípio
ficamos na dúvida se podíamos entrar e eu achava que não seríamos bem vindos lá dentro (especialmente eu, porque os meninos se passam por orientais). Isso acabou sendo bom porque pudemos ver um monge tocando um grande sino a marteladas e outros 10 monges vir em fila e entrar no templo. Arrepiante.



Acabamos por entrar e assistir a cerimônia, mas eu não pude fotografar. Linda! Deu uma emoção estranha assistir àquela cerimônia, pois apesar de não entender o significado daquilo tudo, era um momento muito especial. O lugar era lindo, os monges estavam trajando uma curiosa roupa (todos iguais, igualmente carecas), havia diversos ornamentos orientais, muitas pessoas assistindo e orando. Havia até 3 daqueles grandes tambores japoneses (cujo nome eu não sei) que foram tocados por um dos monges. Na verdade apenas dois foram tocados, o maior de todos, que era realmente graaaande, maior do que qualquer pessoa, não foi tocado. Pelo estrondo que os "menores" faziam esse maior deve ser capaz de fazer as paredes tremerem bastante.




Enfim, essa cerimônia foi incrivelmente indescritível. Saí me sentindo nas nuvens, sabe lá Deus porquê. Talvez tenha sido o tambor desconpasando meu coração.



Fomos andar para conhecer o resto do templo. Andamos, andamos, andamos... um lugar mais lindo do que o outro. Templos menores lindos, jardins impressionantes de tão bem cuidados, alguns cantinhos no meio de árvores que pareciam o céu. Espadas, muitas pedras com Kanjis esculpidos (!), diversas esculturas com símbolos orientais (talvez indianos, porque todo o templo parecia budista). Quando estávamos pasmos com o lugar e rezando para que parassem de aparecer mais caminhos nos deparamos com um lago... um caminho e pedras atravessava o lago e nos deixava muito perto da água e das carpas... e das quedinhas d'água. Que lugar!!! Não dava vontade de sair de lá, mas sabíamos que havia muita coisa boa prá ver ainda. Até a cobra que estava na pedra no meio do lago já tinha sumido de lá, então decidimos que era hora de ir também, hehe



Enfim o templo continuou sendo esse lugar incrível cheio de jardins e castelos. Depois acabamos descobrindo que os jardins fazem parte de outro lugar o parque de Narita, mas como o templo não tem muros e é vizinho do parque fica parecendo tudo a mesma coisa.


Já estávamos com fome e um amigo nosso ligou dizendo que ia para a cidade também e combinamos de encontrá-lo no shopping. Decidimos ir andando até o shopping já que nossa guia do começo do passeio tinha dito que seriam mais uns 20min andando. Andamos, andamos, andamos e nos percebemos perdidos no meio de Narita, apesar de termos dois mapas e um GPS, hehe...


Como já tínhamos andado demais dentro do templo e fora dele decidimos pegar um táxi e percebemos que foi uma ótima decisão, já que levamos uns 15min de táxi para chegar até o shopping, que estava do outro lado da cidade, hehe.

No caminho de taxi encontramos nosso amigo andando no meio da rua, no sentido oposto ao do shopping, cansado de esperar pela gente. Ele decidiu ir sacar dinheiro e depois voltar ao shopping.


Comemos no Hard Rock Café. Unh, que delícia. Caro prá danar, mas muito gostoso. O clima do lugar era bem divertido e a comida muito saborosa. Foi uma bela forma de terminar esse dia de passeio.

Ficamos um tempão lá, porque o del começou a ter "cãibras no estômago", segundo ele mesmo, hehe. Enquanto ele melhorava, deitado no meu colo, nós ficamos lá batendo papo, comendo sobremesas gigantes. Muito bom também!


Depois de todos recuperados fomos da ruma volta clássica no shopping e pegamos o ônibus que nos levou à estação de trem. Chegamos lá em cima da hora, correndo feito doidos para pegar o trem das 20h25, pois o próximo seria só às 22hr e nós estávamos podres de tanto andar.


Esse dia de passeio foi ótimo prá recuperar as energias e aliviar das (muitas) chatices do trabalhos. Fez lembrar que o fato de estar num lugar tão diferente da minha "casa" tem diversar vantagens também. Como ver monges, assistir a uma cerimônia completamente diferente, tirar 300 fotos, viver um dia zen, passear sem muita idéia de onde vamos parar.


Agora sim...

Ps.: beijões especiais prá minha prima déia!!!