quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Nós praticamente sobrevivemos! - Parte 1 – A chegada

“Um homem sábio sobe o Monte Fuji uma vez, mas somente um tolo sobe duas.”
provérbio Japonês


Foi foda! Desculpa mãe, mas esse palavrão é insubstituível. Não adianta tentar dizer que foi difícil subir o Fuji, foi FODA MESMO. Em caixa alta e tudo.
Mas vamos começar do começo e dividindo em partes, senão esse pode ser o maior post da história:

O que mais anima a gente nessa loucura toda de estar do outro lado do mundo é o fato de que podemos viver coisas novas, visitar lugares diferentes, conhecer pessoas diferentes. E quem ta na chuva é pra se molhar, então tentamos explorar isso ao máximo.
Descobrimos que entre os meses de Julho e Agosto é a temporada de subida do Monte Fuji, o famoso Fuji dos postais.

Situando: o Fuji é mencionando como a montanha mais alta do Japão, mas na verdade ele é um vulcão ativo. Não sei porque falam que ele é ativo, sendo que a última erupção dele foi há 300 anos, mas ele é um senhor vulcão. É tipo como um Deus para os Japoneses (provavelmente porque ele tem o poder de destruir o Japão) e para eles subir o Monte Fuji é algo sagrado. Parece mesmo com aquelas peregrinações pelo deserto que vemos nos filmes cristãos. Confesso que não senti nada de tão sagrado assim em sofrer por tantas horas seguidas.

Já que a temporada estava aberta e nós queremos aproveitar ao máximo daqui, porque não?! Vamos lá, subir o Monte Fuji. Meu espírito escoteiro ficou animadíssimo com a idéia. Passamos uns dois meses nos programando, mas isso teria que ser o final de semana do feriado aqui no Japão. Não é bem um feriado, é mais como férias coletivas, mas várias empresas dão alguns dias de folga na segunda semana de agosto. Como ainda trabalhávamos na fábrica e íamos com o pessoal de lá, combinamos pra esse final de semana. Depois descobrimos que grande parte das cerca de 300 mil pessoas que sobem o Fuji por ano vão exatamente nesse final de semana que nós combinamos de ir, mas aí já era tarde pois ainda que eu não esteja mais trabalhando e fábrica eu já tinha pedido folga no meu novo emprego justamente para esse final de semana (em breve um post sobre meu novo emprego).

Beleza, descobrimos que talvez houvesse até uma multidão escalando o Fuji com a gente e talvez tivéssemos que enfrentar filas no próprio Fuji, mas já estava tuo marcado, não dava pra voltar atrás e falar “não chefe, mudei de idéia, agora quero folga pro próximo final de semana”. Enfim, tinha que ser naquele final de semana.

O Jardel então foi às compras. Várias blusas, porque parece que faz frio á em cima. Ele botando fé que ia agüentar bem o frio e eu querendo o máxim de blusas possível, tanto pra mim quanto prá ele. Lanternas, já que íamos subir o Fuji à noite, como manda a tradição (subir à noite, ver o nascer do sol lá em cima e descer durante o dia). Tênis para o del, que ao tinha nenhum, já que seu pé aparentemente cresceu durante o tempo que ele trabalhou na fábrca. E, claro, aminoácido que o del comprou achando que era carboidrato. Chegando em casa:
“Amor, pq você comprou aminoácido?”
“Não é não, é carboidrato. Não é?”
“Não! E prá que serve esse aminoácido agora?”
“Ah, pra fortalecer o tecido muscular. Vamos ficar fortinhos subindo o Fuji...”

Ok, bota o aminoácido na mochila que no caminho a gente compra uns chocolates pra dar energia. No caminho compramos uns lanchinhos, uns carboidratos (de verdade dessa vez) e as águas. Dois litros de água e mais dois de isotônico. Beleza, estamos preparados, vambora.

Chegar até perto do Fuji já foi difícil. Pegamos um metrô perto de casa até o trem. Daí pegamos o trem que parceia que ia direto até o lugar onde íamos pegar o outro trem mas descobrimos dentro do vagão que ele não ia. Pra isso tivemos que perguntar pruma japonesa que perguntou pra outra, porque o sistema de transporte aqui é realmente complicado. Descemos onde elas indicaram pra fazer baldeação e não indentificamos nada que dissesse que nosso trem não continuaria até onde a gente precisava ir. Era a linha dele, não dava prá ele desviar. Mas de repente, enquanto esperávamos o próximo trem em outra plataforma, vimos o nosso trem fechar as portas e começar a voltar no sentido que ele tinha vindo. Ele tinha parado no meio da linha e estava voltando. Ainda bem que nós tínhamos perguntado. Esperamos o próximo trem, que nos levou até a estação que queríamos pra pegar o último trem, que por sinal era todo colorido e cheio de desenhos de criança. Parecia trem de parquinho infantil. Foi ele que nos levou até o terminal onde íamos pegar o ônibus pra começar a subida do Monte Fuji.

Mais uma nota: a base do Fuji é muito larga e demandaria muito tempo subir desde o pé mesmo. Então um ônibus leva as pessoas até a quinta estação, que fica a uns 2600 metros já. E a subida começa a partir daí, de onde o Fuji começa a ficar íngrime, porque antes disso é como subir uma ladeira “normal”. Durante toda a subida há varias estações, para os aventureiros descansarem, comprarem algo pra comer ou beber (obviamente muito mais caro do que normalmente, já que esses suprimentos chega até lá em cima de trator). Dá até pra dormir nas estações, mas sem nenhum conforto. Você dorme num tatami junto com as outras pessoas, mas o aquecedor que tem nestas paradas (para quem paga por um descanso) é um imenso conforto pra quem está em cima do Fuji. Mas não adianta querer entrar um pouquinho só pra esquentar os osso porque você tem que pagar. Inclusive até o banheiro é pago. Durante toda a subida os banheiros têm uma caixinha para contribuição, mas l’em cima você tem que pagar se quiser usar, pois tem até uma pessoa na porta cobrando. E com uma ajuda do acaso você ainda vê o “instrumento” de algum homem que esteja mijando no mictório, já que o banheiro é misto que a fila vai até lá dentro. Se bem que com aquele frio...

Bom, o ônibus chegou até a parada e o Jardel me acordou. É, eu já tinha dormido antes mesmo de chegar perto do Fuji. Maus indícios. Estávamos preocupados me ligar ara os nossos pais, já que era dia dos pais no Brasil, mas descobrimos que o celular tem sinal até no topo do Fuji (!!!!) e resolvemos ligar de lá de cima, que seria bem mais legal.
Nesta estação havia muita gente se preparando pra começar a subida. Todos felizes e animados. Muitos brasileiros. Muitas lojinhas para comprar souvenirs. Decidimos comprr só a volta pra não ter que carregar o souvenir a viagem toda (decisão sábia), mas compramos oxigênio e chocolate (outra decisão sábia).
Tiramos uma foto pra registrar o começo, gravamos um poquinho das pessoas, tentamos em vão encontrar os nossos amigos da fábrica que estavam indo pra lá também e pronto, vamos começar a subida. Havíamos programado pra começar a subida umas 20hr, mas como gastamos mais de 6hr na viagem até lá acabamos nos atrasando um pouquinho. Ok, tínhamos calculado com folga o tempo de subida, que seria 8hr. Agora tínhamos que subir um pouquinho mais rápido pra fazer tudo em 7hr. Parecia factível.

Então vambora prá parte 2.


4 comentários:

Passarinho torto disse...

queremos a parte dois... pra essa!!!

eu posto masi que vcs
tenho saudade, mais fotos mais fotos!

lcattapreta disse...

e eu achando que já dar de cara com a parte 2...

Felipe disse...

PARTE 2! PARTE2!
Quero ver a parte2!
E ai como vão os dois aventureiros?
Saudades do Felipe!!
Abs e bjs Fee.

Unknown disse...

Cadê a parte II????