quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Viajando mesmo

Povo,


nosso inferno nipônico finalmente acabou e agora nós estamos curtindo merecidas férias. Atualmente estamos na Tailândia, com muito sol e pouco acesso a internet.  Se der tempo eu posto hoje alguma coisa sobre esse fim/início de viagem.

Continuaremos viajando sem lar até voltarmos ao Brasil, então estaremos praticamente desplugados do mundo até lá. E-mail, comentários e scraps serão respondidos com bastante atraso.

Beijos cansados de sol e piscina... =)

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Quando o dia tá uma merda...

"meu cú nunca mais será o mesmo"

Eu ainda tava lá fora sentada no corredor sujo do meu condomínio e tentei mandar um sms pro cel do dell, que aparentemente tava sem bateria e nem dá sinal onde ele trabalha. A mensagem foi entregue e eu fiquei mto feliz. Uns 10 min depois o dell tava chegando de bike, todo ensopado (pq começou a chover), mas com uma chave.
Entramos felizes e cansados em casa e eu tirei a roupa e fui pro banheiro tratar de resolver uma dorzinha de barriga que estava me dando (claro, afinal era tudo o que eu precisava quando estava trancada prá fora de casa).
Sentei no trono, trabalho "em andamento" e eu percebi um ponto preto no rolo de ph. Vale observar que no Japão, assim como imagino que seja no resto do mundo também, a distância entre o ph e a privada é a mesma que no Brasil, no máximo uma braçada. No caso de um apartamento menor que meu antigo quarto (que era pequeno) essa distância diminui prá dois palmos. Levando em conta que grande parte das pessoas quando senta no trono apóia o cotovelo no joelho e a cabeça nas mãos, a minha distância diminuiu prá um palmo (entre o ph e meu nariz).
Eu olhei aquele ponto preto no ph e reconheci como cocô de barata. Alguém reconhece um cocô de barata? Pensei: "filadaputa, além de cagar no meu banheiro usou meu ph!".
Decidi puxar aquela ponta do ph e desenrolar umas 5 voltas do ph pra poder usar o resto com razoável segurança. Eu ia jogar aquele pedaço fora, afinal ele já estava cagado e meu trabalho ainda estava "em andamento", bem literalmente.

E eis que o ph faz um barulho... Aquele maldito barulho de patinhas tão nojentamente familiar.

PUTAQUEOPARIU!!! E eu já estava do lado de fora do banheiro, puuuuuta, com o braço doendo de uma batida que deve ter sido na porta, revertendo meu trabalho e pelada (de novo, vide post sobre barata durante o banho)!

- É uma barata?
- ÉÉÉ!!!
- Ufa, pensei que fosse um rato...
- MAS EU TAVA CAGANDO!!!
- Hahahahahahaha
- E ELA PULOU EM MIM!!
- Hahaha
- E EU TAVA NA METADE DO SERVIÇO!!!!!!
- Hahahahahahahahahahahahahahaha
- VAI MATAR ESSA PORRA LOGO!

O dell, rindo ainda, pegou o veneno e matou a maldita, que ainda teve tempo de pular o degrau prá fora do banheiro e morrer na porta. Eu tive o impulso de pegar o chinelo e esmigalhar ela, ainda que estivesse previamente morta, mas eu lembrei do nosso acordo "corpos inteiros são do dell, despedaçados são meus" e resolvi descontar minha raiva em outra coisa. Cagando, por exemplo.
Peguei um novo rolo de ph e terminei o serviço da forma mais rápida possível. Tomei banho e quando saí estava o dell passando mal com o veneno que jogou na barata (que segundo ele é a barata mais nojenta que ele já viu).
Eu até tiraria uma foto do corpo, mas não quer ver essa maldita de novo. Magoei...

Ps.: fui corrigir o texto no word e ele me sugeriu que usasse o termo "defecando", ao invés de cagando... eu mereço

...pro del chegar. E eu tô perdendo tempo suficiente teclando aqui.

Como to postando: pela minha propria net wireless e usando o iPod touch. Pq escrevo tudo no titulo: é onde o iPod deixa... Belê, mais umas 2hr pro...

Desabafo: to trancada pra fora do meu ape pq esqueci a chave e cheguei antes do del. Como entrei no condominio: atras de uma japan na porta automatica

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Pagando dívidas: Disney



Esses dias lembrei que tenho um post escrito sobre a disney mas faltava publicar. Hoje reli o post e percebi que ele não tá completo, mas postar mesmo assim e tentar finalizar. Enquanto fazia isso uma amiga entrou no msn e me cobrou esse post, o que me motivou ainda mais... aí vai (e não me ecnha mais o saco, Vanessa! rs...):

Eu andava meio tristonha nos últimos dias. Não sabia se era saudade das pessoas, saudade da comida, se era pelo trabalho, ou por só trabalhar, por não saber me comunicar com os nativos, ou pelo nosso minúsculo e imensamente bagunçado apartamento... Mas eu tava meio borocochô sim. Nunca fui de ter problemas para dormir, aliás, o problema é que eu queria dormir sempre, mas nas últimas semanas eu estava com uma insônia ferrada. Acordava todo dia entre 12hr e 13hre não conseguia dormir mais (mesmo tendo ido dormir entre 7hr e 8hr). E ficava acordada pensando nas coisas pra resolver, na saudade das pessoas, em quantas semanas faltam pra voltar pra casa, em comer um arroz de verdade com feijão de verdade! Quem pensa que a nossa vida no Japão é boa porque a gente ganha mais dinheiro é um completo cretino. O buraco é tão mais embaixo...
Enfim, decidimos tomar uma atitude. Não dá pra voltar pra casa agora, então vamos dar uma animada na vida aqui. Desde o Fuji que a gente não saía de final-de-semana, acho que traumatizamos. Decidimos então passear mais aos domingos e estudar japonês durante a semana, já que eu tava numa saudade danada de estudar (sim, eu sou cdf!). Quem sabe o próximo passo seria arrumar uma atividade física pra fazer? Seria tão bom...
No primeiro domingo que se seguiu após essa decisão nós fomos ao cinema. Tem um cinema bem legal perto da nossa casa, onde a gente já tinha assistido Shrek. Fomos e assistimos o filme do Tarantino e do Roert Rodriguez. São dois médias, o que dá umas 3hr de filme, com o som da sala alto pra caramba e, claro, todo em inglês, que a gente entendeu um terço, deduziu outro terço e ficou sem saber nada a respeito do último terço. Os filmes são cansativos, pesados de assistir, uma homenagem a uma categoria de filmes trash antigos, coisa de nerd mesmo. Valeu mais pelo conhecimento do que pela diversão.
Já havíamos dado o primeiro passo, mas na terça-feria eu faltei no serviço por causa da maldita da insônia ainda. O sono bateu 1hr antes de ir trabalhar. Tudo bem, faltei no serviço e dormi, mas dormi muuuito. Acordei comemorando! Eu tinha conseguido dormir 12hr seguidas!!! Viva!!! Voltei a ser eu de novo!!
Completando nossa missão de melhorar a vida aqui, decidimos estudar japonês de verdade. Solicitamos os folhetos do Kumon e escolhemos uma classe aqui perto de casa para freqüentar. No Kumon você pega as lições, faz em casa e leva pro professor só corrigir. Íamos no Kumon na segunda passada, mas não deu tempo. Depois na quinta, mas o del tinha dormido muito mal. Conseguimos finalmente ir ontem, segunda-feira, um dia depois da Disney, consagrando a concretização do nosso objetivo de viver melhor. Mas vamos pela ordem...
Na segunda passada a mulherada no meu serviço sugeriu de irmos pra Disney. Eu fiquei toda animada, porque era louca pra conhecer a Disney e isso viria a calhar nos nossos planos de “+ diversão”. O Del ficou bancando o homenzinho e dizendo que a Disney devia ser muito bobinha... unf. Chegou no sábado a noite e eu estava trabalhando enquanto quase todas as outras meninas que iam tinham tirado folga. Eu saí do trabalho tarde, mais de 4hr da manhã, desanimada. Já não sabia se valia a pena ir ou não, porque eu tava muito cansada e com uma preguiiiiiiiça (essa preguiça sempre acaba comigo). Mas em casa o del tava animado, dizendo que o parque parecia mais legal do que ele pensava e que tinha uma entrada que valia a partir das 15hr e era ais barata. Era pra quem não queria ir de manhã mas queria aproveitar o parque até o fim (detalhe, o parque abre as 8h30 e fecha as 22hr!). Decidimos comprar esse bilhete e assim eu conseguia satisfazer um pouco do sono, pois podia dormir até meio-dia, e o nosso plano “+ diversão” seria cumprido também.
Acordei um pouco antes do relógio tocar toda empolgada!!! Eu ia dar um abraço no Pateta!!! Com sorte até puxava a orelha do Mickey e pegava no rabo do Tigrão! Pegamos nossas câmeras e fomos. Saímos de casa mais tarde do que o previsto, comemos correndo e fomos o mais rápido possível, subindo a pé as escadas rolantes das estações de trem e metrô (sim, dá pra chegar na Disney de trem e metrô, eu adoro o sistema de transporte público daqui).
Chegamos lá e não tinha fila pra comprar os ingressos, o que compensava o nosso atraso ao sair de casa. Entramos no parque as 15h20!
Logo de cara nos deparamos com uma “parada” na qual estavam passando carros com castelos e os personagens da Disney. Bonitinho, mas vimos só o final e mesmo assim não demos muita bola, pois queríamos aproveitar o nosso tempo lá dentro. Ah, falando em “tempo”, ficou um nublado de chuva o dia inteiro, mas não choveu. Perfeito!
Passamos num brinquedo que é tipo um Splash e pegamos o “Fast Pass”. Fast Pass é um bilhte genial que você pega na entrada do brinquedo e ele te dá o direito de voltar naquele brinquedo um tempo depois e entrar dierto, sem pegar fila (na verdade pega um pouqinho de fila de todas as pessoas que tem aquele bilhete). Por exemplo, as 15h30 nós pegamos o bilhete pra voltar no Splash entre 18h25 e 19h25, e nesse meio tempo nós podíamos fazer qualquer outra coisa. É como guardar lugar na fila. Só que depois de pegarmos o primeiro Fast Pass nós descobrimos que só poderíamos pegar o próximo uma hora e meia depois, o que arruinava os nossos planos de pegar vários Fast Pass e depois ir entrando nos brinquedos sem pegar fila nenhuma, haha... esses brasileiros.
Bom, encontramos a mulherada do serviço, que estava lá desde as 10hr da manhã, casa uma acompanhada de seu devido par (só uma estava sozinha, vela mesmo), e fomos pro brinquedo do puff. O del já tinha falado que esse brinquedo parecia um dos mais legais, porque vc entra num carrinho que vai passando por salas que contam a historinha do puff, só que o carrinho não tem trilhos nem rodas e cada vez que vc vai ele faz um caminho diferente. Bom, pagamos 70min na fila pra ver. LINDO!!!
Desde a fila já vai tendo casinhas de abelha e coisinhas que lembram o puff. Daí no último estágio da fila, que já é dentro do brinquedo, tem páginas gigantes do livro do puff (onde eu fiquei gritando que nem besta: eu tenho esse livro! Eu tinha esse livro!). Daí vc entra no carrinho, que de fato não tem rodas nem trilho e começa a andar pela história do puff. Mas é liiiindo!!! Uma comparação chula seria com a “montanha encantada” do Playcenter, mas essa do puff é muito mais caprichosa. Primeiro porque conta a história mesmo, e tem bonequinhos voando, projeções na parede, projeções no ar, a música e as falas saindo da boca de cada personagem (robozinhos), o carrinho que vai dançando e você nem sabe como. Numa mesma sala o carrinho te leva pra ver cada cena em cada parede, rodando e quase batendo nos outros carrinhos. E na sala do trigrão, enquanto na parede tem a projeção dele pulando, o chão onde estão os carrinhos “pula” também! É o máximo! E pra terminar com chave de outro uma das últimas salas tem cheirinho de mel... Que encanto! Eu saí de lá besta. É tudo tão lindo... e eu não pude fotografar nada! É proibido fotografar dentro dos brinquedos. Um pecado, porque todos são muito bem feitos e bem cuidados.


Aí acabou o post que eu já tinha escrito. Ainda bem, pq tava ficando muito grande, hehe... Nesse dia ainda passamos em um monte de brinquedos, só nos dois já que a mulherada resolveu parar nas lojinhas e fazer comprar. Aliás, a Disney tem muito mais lojinhas que brinquedos. É impressionante! Saí de lá vitoriosa por não ter gastado nada, rs.
Andamos em brinquedos como a casinha do pinóquio, uma montenha russa no escuro, um splash, um cinema 3d, um galpão da história do Roger Rabbit. Nada muito inovador na idéia, mas todos os brinquedos eram muito bem feitos. Incrível. O mais "diferente", depois do puff, foi um tour de barco que simulava um safari. O rio passava por leões, elefantes, tucanos, índios, jacarés, enfim uma mistureba de África com Amazônia, mas ok pois o robôs eram muito reais.
À noite sentamos uma meia hora prá comer e assistir o desfile de carros iluminados. Lindo! Daí se originam minhas mais de mil fotos (já que não tem quase nada do brinquedos).
Saímos da Disney umas 22h30 com o auto-falante agradecendo pela visita mais avisando que o parque estava fechando, hehe. Em inglês, claro.

Chegamos em casa mortos de cansasso mas aquele cansasso gostoso de quem gastou bastante energia se divertindo.

No dia seguinte fomos ao Kumon, pra nossa primeira aula de Japonês. Uma salinha pequenininha, cheia de crianças e bem bagunçada à moda japonesa. O kumon é um curso de reforço escolar que tem também curso de linguas prá adultos, ou seja, o aluno mais velho na sala além da gente tinha um terço da nossa idade... Se a gente tivesse entrado na sala fantasiado de Mickey talvez tivesse chamado menos atenção. Até os professores ficaram desesperados com a nossa presença. Fizemos a prova, ambos recomeçamos o nível onde paramos quando estávamos em Omigawa. O problema é que já tínhamos chegado ao fim desses níveis...

Não selecionei as fotos da Disney até hoje simplesmente porque dá uma preguiça monstruosa e escolher as melhores entre mais de mil fotos... mas vou tentar! A princípio vou postar aqui algumas das boas.































































































Ah, não consegui dar meu abraço no Pateta! Quem sabe na próxima oportunidade, na Disneu Sea...

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Minha Colação de Verdade

Hoje é o dia da minha colação de verdade.

A de mentira já foi há 1 ano e meio, mas agora é a oficial.

Eu poderia escrever pra caramba aqui sobre como foi minha época na faculdade, mas isso tomaria muito tempo e eu me afundaria num mar de nostalgia e lágrimas.

Como estou atrasado pro trabalho vou só deixar registrado que estou orgulhoso de ter me formado, e mais ainda por ter um dos melhores amigos da minha vida me representando nessa colação. Valeu Tsu!

Hoje eu gostaria de estar nessa colação e sair pra brindar com todo mundo que foi importante pra mim durante essa fase, mas infelizmente estou a 30h de avião e 2h de carro da USP nesse momento.

Obrigado a cada um de vc's que sabem pelo que eu estou agradecendo.

Com amor e sempre sem noção,

dell.

domingo, 14 de outubro de 2007

Fotos novas

No final-de-semana passado viajamos para uma cidadezinha aqui perto de tóquio, chamada Hakone. Muito bonitinha, é como a versão japonesa de "campos do jordão". As fotos estão no meu flickr:
http://www.flickr.com/photos/35642038@N00/sets/72157602400748818

beijos

sábado, 6 de outubro de 2007

Dinheiro Fácil

Hoje eu comecei a trabalhar mais cedo do que o del, e pelo meu celular mandei um e-mail pra ele dizendo que estava anciosa pela viagem que planejamos para esse final-de-semana (prolongado, já que segunda-feira tem mais um feriado aqui no japão). O del respondeu dizendo que sentiu um frio na barriga só de pensar.
Não vejo a hora de passar dois dias sem pensar no trabalho, sem pensar no dinheiro, sem pensar nas baratas. Quem sabe até a gente consiga dormir numa cama de casal! Dois dias sossegados, dando risada, divertindo, namorando, realmente estou anciosa.
É assustador o quanto aqui eu sinto saudade não só das pessoas do Brasil mas também do del e até de mim mesma. Ainda que sejamos as mesmas pessoas aqui, essa vida muda nossas prioridades e nosso contato. Eu realmente sinto saudade do del que morava na repeão e da carol p que adorava uma festa. E do casal que no final-do-dia saía correndo pra ir ao cinema e quase sempre perdia o começo do filme (quando não o filme todo) porque chegava atrasado.
Aqui o cinema custa caro e é em inglês (com um desenho na parte de baixo da tela que suspostamente é uma legenda). Nem pensar em ir ao cinema durante a semana, se der sorte rola ir no domingo. Isso se a preguiça não for maior, já que aqui nosso final-de-semana é de um dia só e sempre fica aquela dúvida: diversão ou descanso?!
Eu sempre soube que a vida aqui seria difícil, mas vivendo aqui a gente encontra problemas que nem tinha imaginado, do tipo sentir saudade de si próprio ou não ter cozinha em casa. Quase tudo é diferente do que eu imaginava, pra pior ou pra melhor. Mas eu realmente me espanto quando eu ouço alguém falando: “o japão é bom prá ganhar dinheiro fácil”.
Há tanto brasileiros aqui e no Brasil que falam isso que eu me pergunto se essas pessoas não pensam no preço que realmente pagamos por esse dinheiro ou se não sentem tanta saudade quanto eu.


O dinheiro aqui pode ser rápido, mas não é fácil nem f...


Prá fechar vou postar algumas fotos dum festival brasileiro que teve aqui em tokyo. Foi muito legal porque deu prá matar a saudade dum show de samba (asa de água e neguinho da beija flor), do cheirinho de churrasco, de entender o que as pessoas falam em volta, de comer um dogão. Nesse festival eu realmente consegui me sentir no brasil por algumas horas.



brasileirice


óia o frango atropelado!





sai daqui!









unh...

gostei de você!








será que é samba?
dogão! dogão


vc já sentou numa willians?




Ps.: pesadelo e insônia aqui são corriqueiros.
Ps.2: o próximo post será sobre coisas das quais eu sinto saudade, algumas bizarras.

Ps.3: o único dinheiro fácil até agora foi a nota de R$50 que achei na minha carteira logo que cheguei. Não faço a menor idéia de onde ela apareceu, mas até agora ela já serviu prá... medir baratas, claro!

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Pro Lulo

se esse não fosse o post do Lulo talvez chamasse baraticídio...


Lulo, você estava coberto de razão, deculpe a minha falha tão primária! Mas hoje, quando cheguei em casa e olhei na minha banheira, percebi a oportunidade de me redimir desse erro (sem sacanagem).




Sim, havia mais uma filha-da-puta no meu banheiro, dessa vez mortinha, huahuahuahua.



As melhores invenções que eu encontrei no Japão não têm nada a ver com tecnologia, são as coisas mais simples possíveis. Uma delas (e a mais útil até agora) é a bomba de barata! Um potinho em que você coloca um pouco de água e sai correndo, porque ele começa a soltar uma fumaça que empesteia o ambiente e mata todas as baratas do lugar. Já encontramos baratas mortas até dentro de lata de refrigerante (vazia, claro) graças a essa brilhante invenção.



Como domingo eu fiz uma mega arrumação aqui em casa (na qual foram encontrados 7 corpos, entre vivos e mortos) eu decidi hoje armar uma dessas bombas antes de ir trabalhar. Na verdade armamos duas, uma para adultas e outra para filhotes e demais pequenas pestes.



E quando eu chego em casa, o resultado: um grande corpo na banheira e cinco pequenos corpos juntinhos na sala/quarto/cozinha. Talvez fosse um pique-nique...


Com certeza vou encontrar mais corpos daqui a pouco. Na verdade localizei mais um enquanto escrevia esse post.

Ah, vou esperar o del chegar do serviço prá tomar banho, claro. O trato é o seguinte: eu recolho os destroços "explodidos" nojentos, ele recolhe os corpos que ficaram inteiros!


Ps.: não sei pq tenho uma nota de cinquenta reais aqui.

sábado, 8 de setembro de 2007

Delícia de banho...







Sim, eu estava lá, tomando um banho relaxante e eis que olho prá parede e vejo esse bicho medonho que eu odeio mais do que nunca! E eu lá, indefesa, peladona, num banheiro de menos de 1,5m...
Saí correndo e peguei o veneno e o chinelo. Começo pelo veneno, mas se correr toma chinelada. Decidi terminar meu banho, olhando prá ela, claro.
Saí do banho e percebi que não havia como descrever a tamanha nojentice dessa filha duma puta cascuda. Decidi tirar uma foto, puro sadismo.
Peguei a camera, troquei de lente várias vezes, tirei várias fotos e ela nem se mexeu. Troxa, merece morrer mesmo!



Tirei as toalhas, as escovas de dente, a gilete, o depilador e até o papel higiênico de dentro do banheiro. Droga, acabei de perceber que esqueci de tirar o sabonete.
Taquei veneno na bicha e tive o prazer de ver ela se debater e agonizar. Como toda barata ela tentou correm na minha direção, mas eu me defendi com uma jato e veneno bem na fuça! Morreu e eu nem precisei do chinelo. Queria ter fotografado essa deliciosa agonia, mas minhas duas mãos estavam ocupadas (veneno na esquerda, chinelo na direita, eu sou destra).
E nunca mais atrapalhe meu banho, malditas baratas!



ps: hoje posso provar que as baratas diminuem depois que morrem... não é exagero das mulheres quando nós falamos que matamos um monstro e depois o que sobra é um corpo cascudo um pouco maior que uma formiga.
ps2: depois posto sobre a disney, não podia deixar de compartilhar esse sentimento em tempo real aqui no blog.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Saudade

Hoje nós comemos num restaurante brasileiro.
Feijoada e bife à parmiggiana.
Gostoso.
Mas era de mentira.
A couve não estava cortada em tirinhas.
O filé tinha molho de tomate e queijo por cima, era gostoso, mas não era um legítimo filet à parmiggiana, daqueles cheio de gordura no milanesa e embebido no molho, que não é só um extrato de tomate.
A feijoada era muito gostosa, apesar de ser pequena, pecado capital...
Mas o foda foi o arroz...simplesmente não era arroz, era gohan.
O mais importante era que o arroz não fosse gohan, simplesmente pq o gohan eu como em qualquer lugar do Japão, o arroz brasileiro não achamos em lugar nenhum daqui, e pelo jeito não vamos achar...
Mas hoje eu percebi que eu não sinto saudades das pessoas, das comidas, da bola de futebol ou dos bichos.
Eu tenho vontades...
"Ai que vontade de jogar uma bola agora"
"Nossa, uma picanha grelhada agora seria a morte!"
Na impossibilidade de se fazer alguma dessas coisas a gente nomeia isso de saudade...
Se eu to com vontade de jogar bola e não posso jogar bola, eu fico com saudade de jogar bola.
Mas o que eu entendo por saudade não se aplica assim. Quando eu sinto o que eu chamo de saudade sempre é com relaçao a alguma situação.
Eu nem tenho saudade do meu pai, da minha mãe, do meu melhor amigo ou do meu bichinho de estimação. Engraçado né?
Mas eu morro de saudade de quando a gente sentava na repeão e começava a jogar uma partida de winning eleven as 20h, só uma partidinha, e iamos dormir as 3h da manhã.
Ou de quando íamos em 15 pessoas passar a tarde na vet.
Quando eu passava as férias inteiras na casa dos meus primos...nossa que delícia.
Que saudade de ir em uma pizzaria ou viajar pro interior com minha família.
E também de preparar fanáticos e recebê-los de presente.
Essas são saudades legítitmas (entre muitas outras), daquelas que eu sinto meu peito apertar e meu olho pesar. Daquela que se alguém me pega pensando nessas coisas vão perguntar: "que sorriso é esse na sua cara?".
Claro que essas situações sempre envolvem pessoas queridas que fazem da minha vida uma delícia. Mas eu não tenho saudade da pessoa em si, tenho muita vontade de estar com ela, mas saudade eu tenho das coisas que passei com ela.
Se eu converso com o Doug no msn é quase como se eu tivesse visto ele ontem. Agora se por um segundo eu lembrar desse filho da puta indo na sala reclamar do nosso barulho enquanto a gente pulava no sofá pra fingir que estávamos dormindo, eu fico que nem agora, com o olho cheio de lágrima e o sorrisinho besta na rosto.
Se eu passo a madrugada teclando com o Tsu, a gente conversa de qualquer coisa que conversaríamos no Brasil, mas quando penso nele falando "fudeo!" e começando a rir depois é a mesma coisa...
Quando eu lembro do Victor indo de cobertor pro colégio, ou o gol que eu tirei de cabeça do Rafa na educação física, até mesmo a Carol, que está todo dia aqui do meu lado. Quando lembro do dia que estávamos ficando no carro e o som começou a tocar U2 sozinho, eu morro de saudade, mas nunca poderia dizer que sinto saudade dela.
Eu poderia escrever milhares de páginas com momentos que fazem eu chorar e me sentir feliz ao mesmo tempo, são esses momentos que me inspiram saudade, nunca a pessoa em si.
Se eu não sinto saudade mesmo das pessoas que eu amo quer dizer que eu tenho algum tipo de problema com a saudade, ou será que o amor na verdade é um sentimento baseado no que se viveu com cada um, e não em cada pessoa em si? Ou ainda mais, talvez a saudade não tenha nada a ver com o amor, mas é fato que as pessoas que eu amo são presença garantida em quase todos os momentos que me fazem sentir saudade.
Hoje eu matei uma vontade. A de fazer o pedido no restaurante em português, e no final ainda ouvir piadinha do caixa, em português. Mas ainda to morrendo de saudade de quando voltava da escola e já de fora de casa eu sentia o cheiro do leite de coco que fazia parte do molho do peixe que minha mãe tava fazendo...

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Em breve: Disney Tokyo

Nesse fim-de-semana fomos à Disneyland Tokyo.



Durante essa semana tentaremos postar as fotos,vídeos e narração do passeio, portanto vejam rápido o que tem pra ver do Fuji, pq depois vai ter bastante coisa pra ver (pelo menos fotos)
A sem noção da Carol tirou: 1276 fotos
O ponderado "eu" gravou: 50min
Claro que só uma pequena parte dessas fotos serão postadas, e só poucos minutos de vídeos editados estarão disponíveis, afinal, grande parte desse material bruto é lixo mesmo...
No fim de semana que vem iremos à uma feira brasileira num parque daqui...vai ter show do Ásia de Agua e do Neguinho da Beija Flor aqui em Tokyo, bizarro...

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Nós praticamente sobrevivemos! - Parte 3: Apogeu e Queda

Depois de toda aquela subida, que iniciou numa decida; depois de fazer a maior confusão com as estações; depois de beber forçadamente 1/2L d’água (e dar sentido ao que o técnico do lulo falava); depois do trânsito nas nuvens a 3mil metro de altura (nunca mais reclamo da marginal); depois de sentir a morte falando pertinho e de entender porque o sol significa esperança... nós tínhamos que descer tudo de novo!

Mas antes vamos chegar lá em cima direitinho:
Vimos aquele PUUUUTA espetáculo que é o nascer do sol sobre as nuvens. Na hora eu só pensava “graaande bosta, de dentro do avião eu vi algo parecido sem correr o risco de morrer de hipotermia (essa é pra vc, popô!)”. Eu também queria que o sol fosse pra puta que pariu e me levasse com ele, porque qualquer lugar seria melhor do que aquela merda de vulcão gelado. Mas o fato do sol ter clareado aquele inferno cheio de “rolling stones”, o fato de ele ter diminuído o frio que sentíamos e o fato de que eu tinha passado por aquilo tudo pra ver o bendito nascer, me fez dar uma olhadinha praquele momento único. Sacamos as câmeras, apesar de estarmos com vontade de na verdade sacar uma bazuca, e começamos a registrar aquilo, como bons audiovisuais que somos. E tudo parecia um pouco melhor...unh, menos ruim pra falar a verdade.

Mais do que aquele laranja avermelhado que cobria o horizonte, eu admirava o próprio horizonte. Conseguíamos ver todo o horizonte num ângulo de 180º! E conforme o sol foi subindo conseguiríamos ver tudo ao redor (caso a gente conseguisse virar o pescoço e não houvesse um vulcão atrás de nós, ou seja, no topo onde queríamos estar). Mas era lindo, maravilhoso, aquele horizonte todo coberto do vermelho do sol, refletindo nas malditas e úmidas nuvens. Incrível! Mas ninguém festejava, ninguém comemorava (nem os que chegavam ao topo), no máximo ouvimos uns “ôôh” dos japas quando o sol começou a nascer. Ninguém tinha energia nem motivos pra comemorar, ainda estávamos completamente fodidos. Comemoração só em casa!

Bom, o famoso nasceu, nós havíamos fotografado e gravado tanto quanto possível, agora era hora de seguir caminho pra merda do topo! Guardamos tudo e saímos do “puleiro” onde estávamos, claro que sem nenhuma facilidade. Pra sair do nosso cantinho tivemos que engatinhar até conseguir voltar à trilha em “segurança”. Em dez ou 15 minutos chegamos ao topo! Agora que o trânsito tinha se dissolvido era tão rápido chegar no topo...

Não é que conseguimos? Então podíamos procurar um lugar quentinho pra ficar. A primeira coisa que vimos lá em cima foi um cara vendendo latinhas de café e chocolate quentes. Compramos e entramos num barracão que estava atrás do cara. O tal barracão era aquecido!! Procuramos um lugar apertadinho nos longos bancos de madeira, nos sentamos, tiramos as malas das costas e tomamos nossa bebida quentinha... unh, que delícia!!! A bebida estaria entre morna e fria nos padrões normais de temperatura, mas nessa ocasião eu queimei meu lábio por causa do choque térmico entre o vento gelado e a bebida “quente”. Tudo bem, como diria minha mãe: o que é um peido pra quem ta cagado?
Ficamos provavelmente mais de uma hora nesse barracão bizarro. Ele tinha vários bancos de madeirar compridos onde as pessoas se amontoavam e, de vez em quando, passava uma japonesa ou japonês gritando alguma coisa. Esses eram garçons que estavam entregando a comida a quem pediu. Como eles esqueciam quem tinha pedido, eles gritavam o nome da comida e a pessoa se identificava. Aproveitamos e pedimos a sopa e o arroz mais caros da nossa vida, mas também os mais desejados.
O Del, logo depois de fazer o pedido, saiu para ir ao banheiro e demorou muito. Eu estava ficando preocupada, afinal estávamos no topo dum vulcão, sei lá que tipo de coisa poderia ter acontecido. Já houve casos até de pessoas “assopradas pelo vento” para fora do Fuji (e da vida, claro). A comida chegou, eu tomei toda a sopinha e acabei de queimar o resto do lábio enquanto o arroz do Del esfriava. E esfriava mais... e eu preocupando. Eis que o Del volta com o Gustavo (nosso amigo da Sony) dizendo que ficou aquele tempo todo na fila do banheiro e que quase não pode fazer xixi porque havia um cara na porta cobrando 200 ienes de cada pessoa e o Del não tinha nada. Eis que ele avistou o Gustavo e pediu um trocado pra mijar. Nesse momento o Del me falou que as pessoas ficavam na fila pra usar a cabine, mas que ele cortou fila e usou o mictório mesmo, mesmo com a fila passando bem atrás do mictório e vendo tudo. Eu fiquei pensando porque os homens esperavam na fila sendo que eles sempre vêm uns aos outros usando o mictório...
Uns instantes depois eu voltei a ser gente, me recuperar do desespero da subida e olhar ao redor. Percebi que nosso refúgio quentinho na verdade não era tão quente assim: eu ainda estava com as duas blusas e as luvas eu usei na subida e não estava sentindo o menor calor. Eu estava confortável no “quentinho” com duas blusas! Nesse momento tentei imaginar qual seria a temperatura real da bebida e da comida quentinhas.
Tomei coragem, peguei duzentão e fui ao banheiro. O Del havia instruído “depois do trator (!) e das casas de pedra” e lá fui eu procurando o banheiro, querendo voltar pro meu quentinho onde não ventava. Achei uma fila e imaginei que seria lá o banheiro masculino, decidi procurar o feminino. Pela lógica estaria do lado ou atrás... hunf, tolinha. Aquela fila, a famosa fila que passava ao lado dos mictórios, estava cheia de mulheres também. O banheiro era misto, claro. Só eu queria encontrar dois banheiros no topo do vulcão. Pensei “quer um ar condicionado também, benzinho...?”. Entrei na fila e esperei uns 10 minutos na sombra, com vento, congelando meu xixi. Paguei os 200 e, por falta de habilidade, esperei pra usar a casinha mesmo, mas eis que me deparo com.... A MOTOCA! Nããaããooo! Deus, por quê? O que eu fiz pra merecer uma motoca com chão sujo no topo do Fuji? Hunf... adaptando o ditado da minha mãe: “o que é uma motoca pra quem tá menstruada (num vulcão)?”
Alimentados, mijados e descansados (tudo com a relatividade inerente a essa aventura) fomos conhecer o topo dum vulcão. Confesso ter ficado um pouco decepcionada com a cratera. Ela é impressionante, mas eu imaginava um buraco bem fundo ou cheio d’água, não aquele amontoado raso de pedra. Mas depois reparei que ela é bonita mesmo assim. Lá ao redor da cratera (que é protegida por correntes pra ninguém pular lá dentro) encontramos mais gente da Sony. As meninas, que chegaram lá em cima acreditando no “devagar e (quase) sempre” e o Eric, que quase morreu no caminho também e ainda estava em choque. Confesso que foi um maldoso conforto ver os meninos num estado semelhante o meu. Se até o cara que foi 7 vezes campeão paulista de karatê achou que ia morrer na subida, porque eu sobreviveria ilesa?

Subimos mais um montinho que fica no topo e observamos bastante aquela paisagem pra nunca mais esquecer: o topo do Fuji cheio de construções de pedras parecendo uma civilização inca (não fosse pela máquina de refrigerante), as nuvens que pareciam tão amistosas de cima mas são tão cruéis por dentro, os restaurantes com bandeiras do Brasil. Tiramos todo tipo de fotos e fizemos gravações mandando beijo prum monte de gente. Ah, finalmente ligamos pros nossos pais desejando feliz dia dos pais de cima do Fuji! Que dia dos pais... Eu, no lugar deles, estaria orgulhoso. Eu, no meu lugar, queria estar no lugar deles!

Começamos a decida. Já eram talvez umas 9hr da manhã e algum tempo atrás o Del havia falado “espero que a decida seja fácil”. Eu respondi “tem que ser!”. Não era.

Claro, era mais fácil que a subida, mas tava longe de ser fácil. Primeiro: ainda estávamos sobre as nuvens, que desceram pra cidade, e agora o acolhedor sol era novamente um filho da puta. Não bastasse ter nascido antes da gente chegar no topo agora ele torrava nossa cara e nossas costas com seus raios ultravioletas direto na nossa pele. Fomos tirando as blusas e colocando na mala que estava nas minhas costas... Segundo: é muito íngreme! Não tanto quanto a subida, que seria impossível de descer andando, mas eram ladeiras absurdamente íngremes e em zigue-zague. Daquelas ladeiras que ou você desce travando o joelho a cada passo ou você solta o peso do corpo e desce correndo pra ver onde vai dar. Nas curvas do zigue-zague tinha até uma area de escape pros mais ousados (como o Del, claaaro) que tentavam descer correndo. Era mesmo mais fácil, mas estávamos a 3mil metros de altura! Terceiro: não há vida no topo do vulcão. Nem uma graminha. A vegetação começa a aparecer por volta de 2,600 mil metros. Até aí é só pedra e terra. Agora adicione aquele vento absurdo da subida à terra que sobe a cada passo de cada pessoa na descida! Resultado: boca preta, nariz preto, remela preta, catota preta... eu fiquei tirando terra da minha orelha por vários dias.

O meu ponto preferido: o pé! Aquela areia toda, muito amistosa, resolveu adentrar o meu tênis. Aliás, a meia também. Qui dilícia! Cada passo era brecando, ou seja, o pé deslizava por dentro da meia, que por sua vez deslizava no tênis. O dedão dava aquela “cabeçada” no bico do tênis e a unha encravava... ai, Deus, por quê? Ah, havia uma outra forma de pisar, que era fincando o calcanhar no chão, poupando a parte dianteira do pé e fodendo a traseira...

Cara, várias vezes eu empaquei. Falei “não agüento mais, meu pé ta doendo, eu to cansada, eu quero minha casa, eu quero minha mãe.” Se eu tivesse força eu até teria chorado. Me lembrei de uma aventura escoteira em que, perdidos no meio do mato, sem comida, sem sinal no celular e sem esperança, eu queria fazer a mesma coisa: sentar e chorar. Mas em nenhum dos dois casos adiantava nada. Não tinha como ninguém me tirar daquela porra de vulcão a não ser eu mesma. E nesse caso, diferente da aventura escoteira, eu sabia o caminho. Fazer o quê? O negócio era andar.

Numas das paradas eu tirei meu tênis para tentar colocar algodão no dedão e amortecer as batidas. Não adiantou nada. Mais pra frente tirei o tênis de novo pra arrancar o tal do algodão e limpar um pouco da terra. Amargo arrependimento! Graças a Deus já estávamos perto do fim e as nuvens já amenizavam o sol no lombo, mas quando eu tirei o tênis senti uma dor absurda. Apalpei meu calcanhar e percebi a mais bolha que eu já tive. Imensa, doendo demais, no meu calcanhar cheio de areia e o pior: sem tênis. Eu precisava colocar o tênis de volta, mas não conseguia. Eu tentava estivar o tênis pra ele não raspar na bolha e nada. Arrebentamos o elástico do tênis (que não tinha cadarço) e mesmo assim não entrava. Sugeriram que eu pisasse na parte traseira do tênis, mas isso ia acabar com a sola do meu pé. O negócio foi enfiar o tênis a força mesmo... ai, aí eu chorei...

Nesse momento passou um grupo de turista iniciando a subida e o guia nos falou que estávamos perto do fim. Eu queria gritar praquelas pessoas “não façam isso, vc vão se arrepender, é ruim demais”, mas os japas não iam me entender. Eles devem ter entendido bem a minha cara preta de terra, queimada de sol, com os olhos úmidos. Ah, sobre o meu cabelo eu prefiro me abster. Basta falar que o Del parecia grisalho, pois ele havia passado creme antes de sair de casa e a areia grudou toda no cabelo dele.

Nesse final de descida encontramos vários tristes cavalos que ficavam subindo e descendo, fazendo um “táxi” pros que estavam desgastados demais prá terminar. Eu me incluía nessa categoria, mas já tinha chegado até ali, não ia me render tão perto do fim.

Várias vezes na descida achávamos estar perto do fim e quando ele finalmente chegou eu dei um gás maior, largando o Del e o Gustavo (que estava carregando minha mochila desde o episódio da bolha) pra trás. Eu queria sair daquela merda o mais rápido possível! Chegamos de volta na 5ª estação, onde o pesadelo tinha começado no dia anterior. Ficamos sentados um tempão até ter coragem de ir procurar nosso ônibus. Os meninos se alimentaram, eu comprei lembrancinhas prá mim, nos despedimos do pessoal e embarcamos, eu e o Del, no ônibus que nos levaria de volta à “civilização”. 45 min depois descemos na estação da cidade e decidimos pegar um ônibus direto pra casa, ao invés de repetir a peregrinação entre trens que havíamos feito na ida. Grande escolha! Pegamos o ônibus, no qual havia também um chefe escoteiro japonês com 3 castores (escoteirinhos de menos de 7 anos) e dormimos até chegar no ponto final. Ah, antes de pegar o ônibus eu passei no banheiro da estação e lavei a cara, tirei o batom preto que a terra tinha formado e não fiz nada com o cabelo, seria inútil.

Descemos no ponto final e pegamos mais um metrô até em casa. Que delícia que foi ver nosso minúsculo e “embaratado” apartamento. Além de baratas ele tinha também uma banheira, um chuveiro e uma cama! Tudo o que precisávamos. Depois de cortarmos o meu tênis com tesoura, já que ele não saía do pé de outra forma, largamos as roupas e mochilas na área de tênis (que toda casa japonesa tem, já que dentro de casa só se anda descalço) e fomos direto pro chuveiro. Tomamos um looooongo banho de umas duas horas, no qual o Del teve a divina paciência de desembaraçar meu cabelo enquanto eu dormia na banheira, e fomos direto pra cama! Dormimos muitas horas, que só não foram melhores porque mal conseguíamos mexer as pernas, a pele estava queimada de sol e minha bolha ficava batendo em tudo...

Ps.: post dedicado à minha bolha, que me acompanha ainda hoje (um pouco mais reclusa, é verdade)

Ps2.: não gravamos nem fotografamos nada depois de começar a descida, pois não tínhamos mais forças e as câmeras morreriam com a poeira do lugar (na verdade, depois percebemos que elas sofreram mesmo sem tirarmos elas do case).
Ps3.: nem digo se valeu a pena ou não, mas essa história é inesquecível!

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Devo e não nego!

Eu sei, tô devendo o final da nossa saga no Mte. Fuji. Pretendo escrever hoje, mas como tive insônia essa noite estou morrendo de sono agora. Escrevo quando acordar, rs...

Enquanto isso (no lustre do castelo...) vou deixar o link aqui prá minha página no Image Station. Eu carreguei lá um monte de foto. Esse link vai direto pro álbum das fotos em Narita, mas é só dar uma fuçada nos outros álbuns que tem mais fotos.
Eu sei, t6O devendo o final da nossa saga no Mte. Fuji. Pretendo escrever hoje, mas como tive insônia essa noite estou morrendo de sono agora. Escrevo quando acordar, rs...
Enquanto isso (no lustre do castelo...) vou deixar o link aqui prá minha página no Image Station. Eu carreguei lá um monte de foto. Esse link vai direto pro álbum das fotos em Narita, mas é só dar uma fuçada nos outros álbuns que tem mais fotos.

Muitos beijos

terça-feira, 21 de agosto de 2007

O Mackenzie é Bicha!!!

uma das obras-primas da poesia pós-modernista ecana:
umaquenzébixxa, umaquenzébixxa,
assistiscubidú sópurcausa duxalxixa!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Fotos do Monte Fuji

Como a Parte III ainda não está feita, aqui vai o link para as fotos no Flicker:
http://www.flickr.com/photos/35642038@N00/sets/72157594364977554

domingo, 19 de agosto de 2007

Clipe do topo do Monte Fuji

Enquanto não chega a parte III:

sábado, 18 de agosto de 2007

Nós Praticamente Sobrevivemos! - Parte 2: A Subida


Guardamos nossas câmeras no case e começamos a subida... ...quer dizer, mais ou menos. Começamos na verdade a descer. Isso mesmo, passamos pelo portal que achávamos que marcava o início da subida, mas assim que passamos por ele começamos a descer. Logo pensei que talvez tivéssemos pegado o portal de descida ao invés do de subida. Quem conhece as minhas estórias sabe bem que isso seria perfeitamente possível de acontecer. Resolvi dar um voto de confiança para a nossa "achância" de que aquele era o caminho certo e acreditamos que na verdade aquela era uma pequena descida para pegar embalo antes da subida. Depois de alguns minutos achamos que aquela descida já estava grande demais para ser a subida do Monte Fuji e tive certeza que estávamos no caminho errado. Foi então que perguntei para alguns brasileiros que estavam logo atrás da gente se aquilo era a subida. Imaginem a situação:




-Com licença, este é o caminho de subida mesmo? - Pergunto eu enquanto desço uma descida.


-É sim! - Responde o brasileiro, alguns metros abaixo do que quando eu fiz minha pergunta.




Eu, não sei por que ainda desconfiado de que tivesse sido mal entendido, ou que o brasileiro só tivesse respondido que sim sem ter ouvido minha pergunta, continuei:




-É que já faz um tempo que a gente vem descendo né...


-Não se preocupe, é assim mesmo. A gente desce um pouquinho antes de começar a subida - disse ele como se fosse a coisa mais normal do mundo.




OK, OK!!! Desculpem-me se estou sendo muito careta e se não tenho a mente aberta o suficiente para aceitar o diferente. Não sei por que raios eu pensava que se vc quer chegar ao topo de uma montanha a 3780m de altitude, o melhor que vc poderia fazer era começar a subir o mais rápido que pudesse, e de preferência evitando qualquer sentido oposto àquele que aponta para o objetivo lá no alto. Seguimos em frente com a certeza de que não deveríamos nos apegar aos valores tradicionais da lógica ocidental. Ou de que não deveríamos confiar em brasileiros "subindo" o Monte Fuji. Um pouco mais pra baixo finalmente encontramos uma placa apontando o caminho de subida numa pequena ladeira desviando para a direita. Tomamos o caminho que nos deixou mais confortáveis do que o anterior, mesmo agora tendo que fazer muito mais esforço.


Começamos, e em poucos minutos eu já estava me perguntando se teria sido uma boa idéia levar uma filmadora longe de ser leve, uma máquina fotográfica com 2 respectivas lentes parrudas e 4 baterias para garantir o funcionamento disso tudo. Para isso foi necessária uma mala/case inteira, que eu carreguei junto com mais 4 kg de líquidos. Logo, a Carol precisou levar todo o resto dos suprimentos sozinha. Ou seja, ela tinha que praticamente carregar o que seria normalmente divido por duas pessoas.


Apesar do peso nas costas e da perna sentir o esforço, a subida estava cansativa mas de certa forma fácil. Não havia segredos, andávamos ao lado de vários brasileiros, estrangeiros, japoneses, velhos e crianças, e na verdade íamos num ritmo bom, ultrapassando toda essa gente.



Em meia hora estávamos na sexta estação, a 2390m de altitude. Ficamos surpresos de ter chegado tão rápido no próximo estágio, então nesse momento eu achei que tudo iria ser mais fácil do que eu achava. Lá nós recebemos um mapinha indicando as altitudes de cada estação e o tempo previsto para a conclusão de cada etapa. Esse mapinha só foi completamente interpretado agora (está em japonês) o que me leva a corrigir, nós não começamos de 2600m e sim dos 2305m de altitude, depois descemos não sei quanto(!) e agora nos encontrávamos a 2390. Mas no momento que recebemos esse mapa achávamos que tínhamos saído dos 2600 e que agora estávamos a mais de 3000m. Doce ilusão...
Seguimos em frente e demos de cara com a nossa primeira decepção. A 7º estação estava demorando bem mais do que a sexta pra chegar. Fizemos o primeiro trecho em meia hora achando que o previsto era 80 minutos (na verdade era 45 min), e agora que achávamos que era previsto uns 30 minutos (na verdade eram 60m) e estávamos andando a mais de 50 min sem chegar nela.


Chegamos na 7º estação as 22h35, uma hora depois de sairmos da 6º. Achávamos que estávamos a 3360m, foi quando descobrimos que estávamos a 2700m ainda...Percebemos que estávamos vendo o mapa todo errado aqui (não que passamos a ver certo depois, só desencanamos dele) e que seria um pouco mais difícil do pensávamos nas últimas horas.


Fomos ao banheiro (doando compulsoriamente Y$100), comemos um chocolate, tomamos um pouco de água, e eu perdi a tampinha da garrafa de isotônico. Mas encontramos ela rapidamente, numa espécie de barranco de uns 4m de profundidade, inacessível para qualquer um que não tivesse equipamento de alpinismo. Procurei muito por uma outra tampinha, pois se não achássemos as únicas alternativas que teríamos seriam deixar a bebida lá para algum sedentário (pros burros: aquele que sente sede), ou então beber mais da metade da bebida de uma vez antes de subir os outros 1000m que faltavam.
Meu estômago sofreu...e a bexiga da carol tb.

Depois de preciosos 20 min perdidos com o episódio da tampinha seguimos caminho, mas logo em seguida paramos de novo. Demos de cara com uma fila pra escalar uma parede de pedras a uns 70º. Foi bom pra mim que estava com a barriga fazendo “blubgh! Blubgh!” esperar um pouquinho na fila antes de enfrentar tal subida. Pra Carol foi ruim, pensando que esse tempo que a gente demorou agora fez a gente demorar mais pra ir ao banheiro depois.


A partir daí as coisas ficaram mais interessantes. Sabíamos que estávamos longe do topo, estávamos ficando mais cansados, os caminhos começaram a ficar bem estreitos com longos desfiladeiros de pedras para os lados. Existiam trechos de “falling rocks” que eu prefiro chamar de “rolling stones”, existiam placas indicando qual era o caminho de subida (muito útil essas placas já que logo no começo o caminho de subida era uma descida), e uma delas era em português.


Num primeiro momento fiquei só surpreso por existir uma placa para os brasileiros (são os que falam português no Japão) lerem. Mas depois que confirmei que aquela era a única placa indicando a subida em português imaginei que eles soubessem que todos os “portugueses” detêm o conhecimento de que o caminho de subida é pro alto (salvo raras exceções), e que aquela placa era só pra confirmar pra algumas pessoas mais inseguras, como eu.
Demoramos quase 2h até chegarmos na 8º estação a 3100m, dentro do previsto. Havíamos vencido o trecho mais longo da jornada e até agora o mais difícil. Sentíamos a falta do oxigênio no peso das pernas e na dor de cabeça. Sentamos, demos uma respirada no nosso oxigênio em garrafa, fomos ao banheiro pago, descansamos mais um pouco, colocamos umas blusas e encontramos um conhecido!


O Gustavo, que conhecemos quando trabalhamos na Sony, e era um dos que haviam combinado de subir junto com a gente mas que havíamos desencontrado. Ele tinha começado a caminhada uns 50 min depois da gente e estava lá, na nossa frente, suado pra caralho, de regata e com seu ipod no ouvido. Precisamos chamá-lo 5x até ele nos perceber. Saquei uma das blusas extras da mala e dei pra ele (que só estava com aquela calça, a regata e mais nada pra se proteger do frio).


Descansados (não totalmente), comidos, bebidos e mijados seguimos nossa jornada. A parte "fácil" havia acabado. Daqui pra frente o inferno estava presente.
Não que eu imaginasse que chegar ao topo seria fácil, achei que seria mais difícil do que foi até a 7º estação. Achei que seria como entre a 7º e a 8º, ou até pior. Mas nunca achei que fosse ser como foi da 8º pra frente. Meu deus...


No começo do trecho encontramos subidas bem íngremes, a maior parte precisava da ajuda das mãos, o ar fazia falta principalmente pros músculos, chegamos à altura das nuvens, e considerando que elas estavam presentes, nós estávamos dentro delas. Estar dentro de uma nuvem é como sentir chover por todos os lados, a cabeça, os braços, o tênis, as calças, até a minha cueca chovia.


O pior é que o que estava sendo o pior até aqui não era o pior que estaria por vir. Nós estávamos sentindo os efeitos do cansaço, mas nós havíamos nos mantido muito bem alimentados e hidratados. Estávamos sentindo a falta de oxigênio e começamos a sentir frio, mas sabíamos que bastava chegar à próxima estação em uns 70 min e poderíamos descansar um pouco, respirar nossa lata, ir ao banheiro e se esquentar. Depois só mais outros 70 min e estaríamos no topo lá pelas 2h30 da madrugada.


Tudo veio abaixo quando demos de frente com o trânsito. Dessa vez não havia um obstáculo específico que formava o trânsito. As centenas de pessoas que víamos a nossa frente, e as outras que iam se acumulando rapidamente atrás de nós estavam praticamente imóveis, não andavam nem se esforçavam para subir uma parede. Elas simplesmente estavam paradas esperando que a pessoa a sua frente andasse pra que ela pudesse então andar. O problema é que a pessoa da frente tb tinha pessoas na sua frente, que tb tinham “malditos filhos da puta que não queriam andar” adiante.


Desde pequeno eu me pergunto: “pq os caras que estão lá na frente do trânsito não andam para que todos possam andar e seguirem pra sua casinha?”. Percebi com o tempo que às vezes algum acidente ou afunilamento causava trânsito, mas havia outras vezes que o trânsito simplesmente não tinha explicação, e seguia e seguia se seguia sem fim...
Desculpem-me os de valores católicos, mas chegou uma hora que eu simplesmente estava desejando muito que algum acidente tivesse acontecido, para garantir que depois daquele ponto tudo voltaria a andar normalmente. Porque desejo tão desesperado?


Imaginem todos aqueles fatores de desconforto que citei: nuvens, cansaço, falta de oxigênio, etc.


Agora adicione a isso o fator vento, vento forte, vento muuuito forte. Retire todo o calor que produzíamos por estar em movimento constante. Subtraia todo o animo de saber que daqui a pouco estaríamos na próxima estação e depois no topo (não tínhamos como prever quando aquilo acabaria). Adicione um desespero claustrofóbico de não poder se mexer, nem continuar subindo, nem desistir e começar a descer. Estávamos presos, à mercê do movimento da massa imóvel à nossa frente. Incapazes de nada, indefesos para o vento que arremessava cruelmente as nuvens à nossa volta nas nossas caras, como se dizendo: “aqui quem manda sou eu, vc não tem pra onde fugir, não tem pra onde correr, mal pode se mover, e se eu quiser vc vai morrer aqui em cima, de frio, hipotérmico. Vc não pode ligar seu aquecedor, não adianta pedir pro cara da sua frente dar licença pra vc, pois cada um que está aqui está sentindo minhas nuvens na sua cara e está a um passo de entrar em desespero”. O vento estava certo. Ele não dizia todas essas palavras que eu transcrevi. Mas era o que ele queria dizer com seus gritos dentro da minha cabeça: “VUUUUUuuuuusshhh!! vvvvvUUUUUuuuuUUSSSSSHhhh!!!!”


Passaram-se 4h nessa situação. Andando poucos centímetros a cada minuto. Eu já havia perdido as esperanças de que houvesse um acidente adiante. Eu sabia que seria assim até o topo, talvez nem desse pra entrar no topo por estar muito cheio. Eu já nem queria mais chegar até o topo. Eu queria um cantinho em que pudesse me esconder do vento sem ser pisoteado. Eu queria estar em casa. Queria poder me tele transportar para qualquer lugar que não fosse lá. Eu cheguei a achar que não ia agüentar. Eu ia tombar. E se um helicóptero não fosse me buscar não teria modo de eu sair de lá vivo.


Eis que o sol começou a nascer. Um laranja maravilhoso começou a surgir cobrindo todo o horizonte oriente do céu. Eu podia ver de ponta a ponta esse lado do céu pois estávamos bem em cima das nuvens. Nós praticamente estávamos pisando nelas. Sabe o que eu senti? Raiva, uma raiva imensa. Uma fúria absurda direcionada para cara filho da puta que esteve e que continua parado na minha frente. Eu queria começar a empurrar cada um deles para fora da trilha, lá pra baixo, onde nunca mais poderiam me atrapalhar. Era pra estarmos no topo as 2h30 e já eram mais de 4h. Não tínhamos nem passado pela estação 9º.


Eu não tinha nem como admirar aquele nascer do sol. Eu não conseguia me posicionar de modo a poder curtir ele de forma confortável. Ele importava muito menos do que o fato de que ainda existiam centenas, senão milhares de pessoas entre eu e um lugar que eu pudesse sentar e me esquentar. Eu queria estar no topo quando o sol nascesse, com as câmeras posicionadas. Na posição que eu estava eu queria mais era que o sol se fodesse, junto com cada idiota que insistia em ficar imóvel na minha frente. Nós havíamos falhado.



Pouco depois minha fúria diminuiu sensivelmente e eu pude ser grato ao sol, que se não estava esperando eu chegar ao topo para nascer, pelo menos tinha o incrível poder de amenizar o frio que eu sentia. Ele não resolvia o problema. Mas agora que estávamos acima das nuvens e com o dia começando a raiar, a morte não parecia mais estar fungando em nossos pescoços.



Aqui termina a parte II.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Nós praticamente sobrevivemos! - Parte 1 – A chegada

“Um homem sábio sobe o Monte Fuji uma vez, mas somente um tolo sobe duas.”
provérbio Japonês


Foi foda! Desculpa mãe, mas esse palavrão é insubstituível. Não adianta tentar dizer que foi difícil subir o Fuji, foi FODA MESMO. Em caixa alta e tudo.
Mas vamos começar do começo e dividindo em partes, senão esse pode ser o maior post da história:

O que mais anima a gente nessa loucura toda de estar do outro lado do mundo é o fato de que podemos viver coisas novas, visitar lugares diferentes, conhecer pessoas diferentes. E quem ta na chuva é pra se molhar, então tentamos explorar isso ao máximo.
Descobrimos que entre os meses de Julho e Agosto é a temporada de subida do Monte Fuji, o famoso Fuji dos postais.

Situando: o Fuji é mencionando como a montanha mais alta do Japão, mas na verdade ele é um vulcão ativo. Não sei porque falam que ele é ativo, sendo que a última erupção dele foi há 300 anos, mas ele é um senhor vulcão. É tipo como um Deus para os Japoneses (provavelmente porque ele tem o poder de destruir o Japão) e para eles subir o Monte Fuji é algo sagrado. Parece mesmo com aquelas peregrinações pelo deserto que vemos nos filmes cristãos. Confesso que não senti nada de tão sagrado assim em sofrer por tantas horas seguidas.

Já que a temporada estava aberta e nós queremos aproveitar ao máximo daqui, porque não?! Vamos lá, subir o Monte Fuji. Meu espírito escoteiro ficou animadíssimo com a idéia. Passamos uns dois meses nos programando, mas isso teria que ser o final de semana do feriado aqui no Japão. Não é bem um feriado, é mais como férias coletivas, mas várias empresas dão alguns dias de folga na segunda semana de agosto. Como ainda trabalhávamos na fábrica e íamos com o pessoal de lá, combinamos pra esse final de semana. Depois descobrimos que grande parte das cerca de 300 mil pessoas que sobem o Fuji por ano vão exatamente nesse final de semana que nós combinamos de ir, mas aí já era tarde pois ainda que eu não esteja mais trabalhando e fábrica eu já tinha pedido folga no meu novo emprego justamente para esse final de semana (em breve um post sobre meu novo emprego).

Beleza, descobrimos que talvez houvesse até uma multidão escalando o Fuji com a gente e talvez tivéssemos que enfrentar filas no próprio Fuji, mas já estava tuo marcado, não dava pra voltar atrás e falar “não chefe, mudei de idéia, agora quero folga pro próximo final de semana”. Enfim, tinha que ser naquele final de semana.

O Jardel então foi às compras. Várias blusas, porque parece que faz frio á em cima. Ele botando fé que ia agüentar bem o frio e eu querendo o máxim de blusas possível, tanto pra mim quanto prá ele. Lanternas, já que íamos subir o Fuji à noite, como manda a tradição (subir à noite, ver o nascer do sol lá em cima e descer durante o dia). Tênis para o del, que ao tinha nenhum, já que seu pé aparentemente cresceu durante o tempo que ele trabalhou na fábrca. E, claro, aminoácido que o del comprou achando que era carboidrato. Chegando em casa:
“Amor, pq você comprou aminoácido?”
“Não é não, é carboidrato. Não é?”
“Não! E prá que serve esse aminoácido agora?”
“Ah, pra fortalecer o tecido muscular. Vamos ficar fortinhos subindo o Fuji...”

Ok, bota o aminoácido na mochila que no caminho a gente compra uns chocolates pra dar energia. No caminho compramos uns lanchinhos, uns carboidratos (de verdade dessa vez) e as águas. Dois litros de água e mais dois de isotônico. Beleza, estamos preparados, vambora.

Chegar até perto do Fuji já foi difícil. Pegamos um metrô perto de casa até o trem. Daí pegamos o trem que parceia que ia direto até o lugar onde íamos pegar o outro trem mas descobrimos dentro do vagão que ele não ia. Pra isso tivemos que perguntar pruma japonesa que perguntou pra outra, porque o sistema de transporte aqui é realmente complicado. Descemos onde elas indicaram pra fazer baldeação e não indentificamos nada que dissesse que nosso trem não continuaria até onde a gente precisava ir. Era a linha dele, não dava prá ele desviar. Mas de repente, enquanto esperávamos o próximo trem em outra plataforma, vimos o nosso trem fechar as portas e começar a voltar no sentido que ele tinha vindo. Ele tinha parado no meio da linha e estava voltando. Ainda bem que nós tínhamos perguntado. Esperamos o próximo trem, que nos levou até a estação que queríamos pra pegar o último trem, que por sinal era todo colorido e cheio de desenhos de criança. Parecia trem de parquinho infantil. Foi ele que nos levou até o terminal onde íamos pegar o ônibus pra começar a subida do Monte Fuji.

Mais uma nota: a base do Fuji é muito larga e demandaria muito tempo subir desde o pé mesmo. Então um ônibus leva as pessoas até a quinta estação, que fica a uns 2600 metros já. E a subida começa a partir daí, de onde o Fuji começa a ficar íngrime, porque antes disso é como subir uma ladeira “normal”. Durante toda a subida há varias estações, para os aventureiros descansarem, comprarem algo pra comer ou beber (obviamente muito mais caro do que normalmente, já que esses suprimentos chega até lá em cima de trator). Dá até pra dormir nas estações, mas sem nenhum conforto. Você dorme num tatami junto com as outras pessoas, mas o aquecedor que tem nestas paradas (para quem paga por um descanso) é um imenso conforto pra quem está em cima do Fuji. Mas não adianta querer entrar um pouquinho só pra esquentar os osso porque você tem que pagar. Inclusive até o banheiro é pago. Durante toda a subida os banheiros têm uma caixinha para contribuição, mas l’em cima você tem que pagar se quiser usar, pois tem até uma pessoa na porta cobrando. E com uma ajuda do acaso você ainda vê o “instrumento” de algum homem que esteja mijando no mictório, já que o banheiro é misto que a fila vai até lá dentro. Se bem que com aquele frio...

Bom, o ônibus chegou até a parada e o Jardel me acordou. É, eu já tinha dormido antes mesmo de chegar perto do Fuji. Maus indícios. Estávamos preocupados me ligar ara os nossos pais, já que era dia dos pais no Brasil, mas descobrimos que o celular tem sinal até no topo do Fuji (!!!!) e resolvemos ligar de lá de cima, que seria bem mais legal.
Nesta estação havia muita gente se preparando pra começar a subida. Todos felizes e animados. Muitos brasileiros. Muitas lojinhas para comprar souvenirs. Decidimos comprr só a volta pra não ter que carregar o souvenir a viagem toda (decisão sábia), mas compramos oxigênio e chocolate (outra decisão sábia).
Tiramos uma foto pra registrar o começo, gravamos um poquinho das pessoas, tentamos em vão encontrar os nossos amigos da fábrica que estavam indo pra lá também e pronto, vamos começar a subida. Havíamos programado pra começar a subida umas 20hr, mas como gastamos mais de 6hr na viagem até lá acabamos nos atrasando um pouquinho. Ok, tínhamos calculado com folga o tempo de subida, que seria 8hr. Agora tínhamos que subir um pouquinho mais rápido pra fazer tudo em 7hr. Parecia factível.

Então vambora prá parte 2.