Mas antes vamos chegar lá em cima direitinho:
Vimos aquele PUUUUTA espetáculo que é o nascer do sol sobre as nuvens. Na hora eu só pensava “graaande bosta, de dentro do avião eu vi algo parecido sem correr o risco de morrer de hipotermia (essa é pra vc, popô!)”. Eu também queria que o sol fosse pra puta que pariu e me levasse com ele, porque qualquer lugar seria melhor do que aquela merda de vulcão gelado. Mas o fato do sol ter clareado aquele inferno cheio de “rolling stones”, o fato de ele ter diminuído o frio que sentíamos e o fato de que eu tinha passado por aquilo tudo pra ver o bendito nascer, me fez dar uma olhadinha praquele momento único. Sacamos as câmeras, apesar de estarmos com vontade de na verdade sacar uma bazuca, e começamos a registrar aquilo, como bons audiovisuais que somos. E tudo parecia um pouco melhor...unh, menos ruim pra falar a verdade.
Mais do que aquele laranja avermelhado que cobria o horizonte, eu admirava o próprio horizonte. Conseguíamos ver todo o horizonte num ângulo de 180º! E conforme o sol foi subindo conseguiríamos ver tudo ao redor (caso a gente conseguisse virar o pescoço e não houvesse um vulcão atrás de nós, ou seja, no topo onde queríamos estar). Mas era lindo, maravilhoso, aquele horizonte todo coberto do vermelho do sol, refletindo nas malditas e úmidas nuvens. Incrível! Mas ninguém festejava, ninguém comemorava (nem os que chegavam ao topo), no máximo ouvimos uns “ôôh” dos japas quando o sol começou a nascer. Ninguém tinha energia nem motivos pra comemorar, ainda estávamos completamente fodidos. Comemoração só em casa!
Bom, o famoso nasceu, nós havíamos fotografado e gravado tanto quanto possível, agora era hora de seguir caminho pra merda do topo! Guardamos tudo e saímos do “puleiro” onde estávamos, claro que sem nenhuma facilidade. Pra sair do nosso cantinho tivemos que engatinhar até conseguir voltar à trilha em “segurança”. Em dez ou 15 minutos chegamos ao topo! Agora que o trânsito tinha se dissolvido era tão rápido chegar no topo...
Não é que conseguimos? Então podíamos procurar um lugar quentinho pra ficar. A primeira coisa que vimos lá em cima foi um cara vendendo latinhas de café e chocolate quentes. Compramos e entramos num barracão que estava atrás do cara. O tal barracão era aquecido!! Procuramos um lugar apertadinho nos longos bancos de madeira, nos sentamos, tiramos as malas das costas e tomamos nossa bebida quentinha... unh, que delícia!!! A bebida estaria entre morna e fria nos padrões normais de temperatura, mas nessa ocasião eu queimei meu lábio por causa do choque térmico entre o vento gelado e a bebida “q
Ficamos provavelmente mais de uma hora nesse barracão bizarro. Ele tinha vários bancos de madeirar compridos onde as pessoas se amontoavam e, de vez em quando, passava uma japonesa ou japonês gritando alguma coisa. Esses eram garçons que estavam entregando a comida a quem pediu. Como eles esqueciam quem tinha pedido, eles gritavam o nome da comida e a pessoa se identificava. Aproveitamos e pedimos a sopa e o arroz mais caros da nossa vida, mas também os mais desejados.
O Del, logo depois de fazer o pedido, saiu para ir ao banheiro e demorou muito. Eu estava ficando preocupada, afinal estávamos no topo dum vulcão, sei lá que tipo de coisa poderia ter acontecido. Já houve casos até de pessoas “assopradas pelo vento” para fora do Fuji (e da vida, claro). A comida chegou, eu tomei toda a sopinha e acabei de queimar o resto do lábio enquanto o arroz do Del esfriava. E esfriava mais... e eu preocupando. Eis que o Del volta com o Gustavo (nosso amigo da Sony) dizendo que ficou aquele tempo todo na fila do banheiro e que quase não pode fazer xixi porque havia um cara na porta cobra
Uns instantes depois eu voltei a ser gente, me recuperar do desespero da subida e olhar ao redor. Percebi que nosso refúgio quentinho na verdade não era tão quente assim: eu ainda estava com as duas blusas e as luvas eu usei na subida e não estava sentindo o menor calor. Eu estava confortável no “quentinho” com duas blusas! Nesse momento tentei imaginar qual seria a temperatura real da bebida e da comida quentinhas.
Tomei coragem, peguei duzentão e fui ao banheiro. O Del havia instruído “depois do trator
Alimentados, mijados e descansados (tudo com a relatividade inerente a essa aventura) fomos conhecer o topo dum vulcão. Confesso ter ficado um pouco decepcionada com a cratera. Ela é impressionante, mas eu imaginava um buraco bem fundo ou cheio d’água, não aquele amontoado raso de pedra. Mas depois reparei que ela é bonita mesmo assim. Lá ao redor da cratera (que é protegida por correntes pra ninguém pular lá dentro) encontramos mais gente da Sony. As meninas, que chegaram lá em cima acreditando no “devagar e (quase) sempre” e o Eric, que quase morreu no caminho também e ainda estava em choque. Confesso que foi um maldoso conforto ver os meninos num estado semelhante o meu. Se até o cara que foi 7 vez
Subimos mais um montinho que fica no topo e observamos bastante aquela paisagem pra nunca mais esquecer: o topo do Fuji cheio de construções de pedras parecendo uma civilização inca (não fosse pela máquina de refrigerante), as nuvens que pareciam tão amistosas de cima mas são tão cruéis por dentro, os restaurantes com bandeiras do Brasil. Tiramos todo tipo de fotos e fizemos gravações mandando beijo prum monte de gente. Ah, finalmente ligamos pros nossos pais desejando feliz dia dos pais de cima do Fuji! Que dia dos pais... Eu, no lugar deles, estaria orgulhoso. Eu, no meu lugar, queria estar no lugar deles!
Começamos a decida. Já eram talvez umas 9hr da manhã e algum tempo atrás o Del havia falado “espero que a decida seja fácil”. Eu respondi “tem que ser!”. Não era.
Claro, era mais fácil que a subida, mas tava longe de ser fácil. Primeiro: ainda estávamos sobre as nuvens, que desceram pra cidade, e agora o acolhedor sol era novamente um filho da puta. Não bastasse ter nascido antes da gente chegar no topo agora ele torrava nossa cara e nossas costas com seus raios ultravioletas direto na nossa pele. Fomos tirando as blusas e colocando na mala que estava nas minhas costas... Segundo: é muito íngreme! Não tanto quanto a subida, que seria impossível de descer andando, mas eram ladeiras absurdamente íngremes e em zigue-zague. Daquelas ladeiras q
O meu ponto preferido: o pé! Aquela areia toda, muito amistosa, reso
Cara, várias vezes eu empaquei. Falei “não agüento mais, meu pé ta doendo, eu to cansada, eu quero minha casa, eu quero minha mãe.” Se eu tivesse força eu até teria chorado. Me lembrei de uma aventura escoteira em que, perdidos no meio do mato, sem comida, sem sinal no celular e sem esperança, eu queria fazer a mesma coisa: sentar e chorar. Mas em nenhum dos dois casos adiantava nada. Não tinha como ninguém me tirar daquela porra de vulcão a não ser eu mesma. E nesse caso, diferente da aventura escoteira, eu sabia o caminho. Fazer o quê? O negócio era andar.
Numas das paradas eu tirei meu tênis para tentar colocar algodão no
Nesse final de descida encontramos vários tristes cavalos que ficavam subindo e descendo, fazendo um “táxi” pros que estavam desgastados demais prá terminar. Eu me incluía nessa categoria, mas já tinha chegado até ali, não ia me render tão perto do fim.
Várias vezes na descida achávamos estar perto do fim e quando
Descemos no ponto final e pegamos mais um metr
Ps.: post dedicado à minha bolha, que me acompanha ainda hoje (um pouco mais reclusa, é verdade)
Ps2.: não gravamos nem fotografamos nada depois de começar a descida, pois não tínhamos mais forças e as câmeras morreriam com a poeira do lugar (na verdade, depois percebemos que elas sofreram mesmo sem tirarmos elas do case).
Ps3.: nem digo se valeu a pena ou não, mas essa história é inesquecível!